
Eleições 2026: Ibovespa despenca R$ 948 bi e dólar sobe com vitória de Lula
O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte volatilidade ao resultado das eleições presidenciais de 2026, que confirmaram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. A inesperada eleição do petista, contrariando as pesquisas e a expectativa de parte do mercado que apostava em Flávio Bolsonaro (PL), provocou uma reprecificação dos ativos locais. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acumulou uma queda de 18,12% na semana, encerrando o período aos 167.921,80 pontos. O dólar à vista, por sua vez, disparou, terminando a semana em R$ 5,4443, o maior valor de fechamento desde 30 de dezembro, com uma valorização semanal de 9,04% ante o real, a maior desde outubro de 2008.Queda expressiva no valor de mercado da B3O valor de mercado das companhias listadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) sofreu uma retração de R$ 948,82 bilhões em apenas uma semana. A queda representou 16,41% do valor total, que passou de R$ 5,780 trilhões em 23 de outubro para R$ 4,831 trilhões em 30 de outubro. Essa desvalorização, medida em reais, foi ainda maior quando convertida para dólares, atingindo 21,64%, devido à desvalorização da moeda brasileira frente à norte-americana no período. O Ibovespa, que representa a maior parte do valor de mercado da bolsa, foi o principal responsável pela queda, respondendo por R$ 817,32 bilhões da perda total.Reação do mercado e incertezas econômicasO Ibovespa chegou a acionar o circuit breaker logo na abertura da sessão de segunda-feira (26), um mecanismo de interrupção das negociações em caso de quedas bruscas, algo que não ocorria desde março de 2020. A vitória de Lula, com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de seu adversário, surpreendeu o mercado, que esperava uma condução mais alinhada ao controle de gastos públicos e ajuste fiscal. A incerteza sobre os nomes da equipe econômica e a direção das reformas fiscais e tributárias levou os investidores a uma postura de prudência, com muitos buscando pontos de entrada em ativos mais seguros ou diversificando suas carteiras.Perspectivas para renda fixa, FIIs e balançosDiante do cenário de maior oscilação, analistas da XP revisaram suas recomendações. Em renda fixa, apesar da volatilidade no curto prazo, a conjuntura pós-eleitoral abre oportunidades em múltiplos indexadores, com a recomendação de aportes graduais e diversificação. Para fundos imobiliários (FIIs), a elevação dos juros e prêmios de risco pressionou as cotações, mas a manutenção de posições de longo prazo é vista como estratégica devido aos descontos e fundamentos sólidos. Paralelamente, a temporada de balanços do 3º trimestre de 2026, com divulgação de resultados de empresas como Santander Brasil, Gerdau e AmBev, passa a direcionar as atenções e as escolhas de alocação, oferecendo um panorama mais claro sobre a saúde financeira das companhias.




























