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Conflitos globais desorganizam rotas aéreas e aumentam riscos para aviação

31 de outubro de 2026
Conflitos globais desorganizam rotas aéreas e aumentam riscos para aviação

Destaques

  • •Ataques no Oriente Médio e tensões geopolíticas forçam companhias aéreas a desviar rotas, aumentando tempo e custos de voos.
  • •Aumento da incerteza sobre segurança do espaço aéreo global, com consultorias alertando para riscos crescentes.
  • •Acompanhamento das novas rotas e possíveis impactos na logística e no custo das passagens aéreas.

Conflitos em diferentes partes do mundo têm desorganizado completamente a aviação civil, reduzindo as opções de rotas seguras, especialmente entre a Europa e a Ásia. Ataques recentes de houthis contra aeroportos na Arábia Saudita alteraram rotas utilizadas por companhias como British Airways e FedEx, segundo dados de rastreamento de voos da Flightradar24. Quando não há fechamento completo do espaço aéreo, as companhias aéreas precisam decidir por conta própria por onde voar, enfrentando um conjunto de recomendações que muitas vezes divergem entre si, emitidas por órgãos reguladores, agências de inteligência e consultorias privadas de segurança.

Rotas alteradas e novos riscos

Este ano trouxe um desafio sem precedentes para encontrar trajetos seguros, segundo Mark Zee, fundador da OpsGroup, grupo independente de consultoria em segurança da aviação. "A discussão não é mais sobre o que é 100% seguro, mas sobre o que representa o menor risco", afirmou Zee, ex-piloto e despachante de voos. "E, claro, menor risco não significa baixo risco." Em alguns casos, os desvios acrescentaram horas ao tempo de voo. Em outros, as companhias optaram por rotas alternativas mais curtas, mas que também envolvem riscos.

O voo 198 da British Airways, de Mumbai a Londres, passou a utilizar mais rotas pela Ásia Central para evitar o espaço aéreo saudita após os recentes ataques. O novo trajeto evita o espaço aéreo saudita e não alterou o tempo total de viagem, mas envolve riscos como a extensão da guerra entre Rússia e Ucrânia ou novos desdobramentos do conflito entre o Talibã e o Paquistão. O Afeganistão também não conta com um sistema de controle de tráfego aéreo em operação.

Desafios para companhias aéreas e carga

As companhias aéreas da Índia, proibidas de entrar no espaço aéreo do Paquistão, têm poucas alternativas para voos com destino à Europa. A Air India passou a escolher um trajeto que se aproxima mais da fronteira norte da Índia e da região de Damasco, na Síria. Embora alguns órgãos reguladores classifiquem trechos dessa rota como inseguros, ela se tornou uma alternativa cada vez mais utilizada por companhias como Emirates, Qatar Airways e Turkish Airlines para evitar a ameaça representada pela milícia houthi.

Não são apenas os aviões de passageiros que enfrentam dificuldades. A FedEx aumentou a duração de seus voos para chegar a destinos como Dubai. A nova rota da gigante de logística, que passa mais perto da China para reduzir o tempo de voo nos espaços aéreos do Afeganistão e do Paquistão, acrescenta cinco horas à viagem. "A FedEx continua monitorando a situação no Oriente Médio e ajustando suas operações para manter os serviços de e para a região", afirmou um porta-voz da empresa.

Impacto em rotas de longa distância e segurança

Desde 2018, a Qantas operava uma das rotas sem escalas mais longas do mundo entre Perth e Londres. A empresa abandonou esse trajeto em março, depois de concluir que a distância não era viável com ajustes para voar pela Ásia Central. Desde então, a Qantas passou a operar a rota com uma parada para abastecimento em Singapura, o que acrescenta cerca de quatro horas ao tempo total da viagem.

Mark Zee, que em 2014 estava a bordo de um avião que percorria a mesma rota sobre a Crimeia utilizada pelo voo MH17 da Malaysia Airlines quando foi abatido, fundou a OpsGroup após a revelação de que algumas companhias aéreas haviam recebido alertas sobre o risco de aviões serem atingidos na região, mas não compartilharam as informações com suas equipes. A organização reúne cerca de 10 mil integrantes. Na semana passada, a OpsGroup afirmou que o espaço aéreo da Arábia Saudita não era seguro em nenhuma altitude. "Não conseguimos mais encontrar uma rota com risco zero para atravessar o Oriente Médio. Simplesmente não existe", disse Zee.

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