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China critica série de TV japonesa "Vivant" e pressiona parceiros comerciais

31 de outubro de 2026
China critica série de TV japonesa "Vivant" e pressiona parceiros comerciais

Destaques

  • •Pequim acusa a série "Vivant" de difamar a China e espalhar sentimentos anti-China, intensificando uma disputa cultural e política.
  • •A pressão chinesa levou ao cancelamento de uma parceria de licenciamento da Sanrio, empresa da Hello Kitty, com a série, impactando seus negócios no mercado asiático.
  • •O caso "Vivant" reflete tensões geopolíticas entre China e Japão, com Pequim usando a cultura como ferramenta de propaganda e retaliação.

A China intensificou sua campanha de pressão contra o Japão, voltando sua atenção para a esfera cultural e criticando a popular série de televisão japonesa "Vivant". Pequim alega que a produção, que retrata uma agência de inteligência chinesa fictícia como antagonista, promove uma visão negativa do país e espalha sentimentos anti-China. A segunda temporada da série, lançada em julho, inclui cenas de agentes chineses torturando operativos japoneses, o que gerou forte reação do governo chinês.

Críticas e Acusações Oficiais

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que a série "revela mais uma vez que existe uma força no Japão que tenta usar produtos culturais para difamar a China". As críticas ocorrem em meio a um contexto de tensões diplomáticas, após a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sugerir que o Japão poderia intervir militarmente caso a China atacasse Taiwan.

A reação chinesa começou com a emissora estatal CCTV, que condenou a série em redes sociais. O jornal oficial do Partido Comunista Chinês, People’s Daily, acusou a série de utilizar "métodos de tortura empregados pelo Exército japonês durante a invasão da China" antes da Segunda Guerra Mundial.

Impacto nos Negócios e na Cultura

A pressão chinesa se estendeu a parceiros comerciais da série. A Sanrio, gigante japonesa do entretenimento conhecida pela Hello Kitty, anunciou o cancelamento de uma parceria de produtos licenciados com "Vivant". A China é um mercado crucial para a Sanrio, representando cerca de US$ 200 milhões em faturamento no último ano fiscal. A empresa justificou a decisão afirmando que "certos conteúdos associados a essa colaboração não estão alinhados com a filosofia corporativa da Sanrio".

A TBS, emissora responsável pela produção, declarou que "Vivant" é "completamente fictícia" e que "a principal premissa é que ela não degrada nenhum país em particular". Os criadores da série afirmam não ter a intenção de alimentar tensões geopolíticas.

Contexto Geopolítico e Propaganda

As críticas a "Vivant" ocorrem após a China reagir duramente a declarações de Sanae Takaichi sobre Taiwan. Pequim acusou a premiê de cruzar uma "linha vermelha" e exigiu retratação. Desde então, a China tomou medidas como reduzir exportações de terras raras, desincentivar o turismo japonês e intensificar patrulhas militares.

Especialistas apontam que a China busca controlar sua imagem no exterior e usa a série como um alvo para reforçar narrativas de propaganda, explorando o histórico de atrocidades japonesas na Segunda Guerra Mundial. William Chou, especialista em Japão do Hudson Institute, descreve a ação chinesa como uma busca por "pretextos" para "alimentar essa indignação, essa guerra cognitiva".

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