Tesouro Direto: Títulos públicos desvalorizam após eleição e taxas sobem

Destaques
- •Taxas de títulos públicos do Tesouro Direto dispararam após o segundo turno das eleições presidenciais, desfazendo o rali anterior.
- •O Tesouro IPCA+ 2050 registrou a maior desvalorização, de 17,19%, com a taxa subindo de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano.
- •O Tesouro Nacional cancelou leilões e realizou recompras de títulos para conter a volatilidade do mercado.
Os títulos do Tesouro Direto encerraram a semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais em queda, com as taxas atingindo patamares superiores aos registrados antes da votação. A virada ocorreu a partir da segunda-feira (26), primeiro dia de negociação após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando as taxas dos títulos públicos apresentaram uma disparada significativa.
Um levantamento realizado pelo InfoMoney, com dados do Tesouro Nacional, comparou nove títulos prefixados e atrelados à inflação entre o fechamento de 23 de outubro e 30 de outubro. O Tesouro IPCA+ 2050 foi o que apresentou a maior desvalorização, com uma queda de 17,19%. A taxa deste papel subiu de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,28% ao ano.
Alta nas taxas de títulos públicos
No segmento de títulos prefixados, as taxas avançaram entre 2,20 e 2,47 pontos percentuais durante a semana. O Tesouro Prefixado 2032, por exemplo, viu sua taxa saltar de 12,89% para 15,36% ao ano. Já nos títulos atrelados à inflação, os aumentos nas taxas variaram entre 0,86 e 1,17 ponto percentual.
Com essas variações, as taxas atuais superam as registradas no final da semana do primeiro turno. Em 9 de outubro, os títulos atrelados à inflação ofereciam entre IPCA + 6,55% e IPCA + 6,68% ao ano, enquanto os prefixados variavam entre 12,31% e 12,51%. Atualmente, as faixas são de IPCA + 7,28% a IPCA + 7,89% e de 14,96% a 15,36%, respectivamente.
O nível atual das taxas também é superior ao observado antes mesmo do primeiro turno. Na manhã de 2 de outubro, o Tesouro Prefixado 2032 pagava 14,15% e o Tesouro IPCA+ 2050, IPCA + 7,06%.
Impacto para investidores e reação do Tesouro
É importante notar que essa desvalorização se refere a quem possuía os títulos antes do segundo turno e optou por vendê-los antes do vencimento. Aqueles que mantiverem os papéis até o final receberão a rentabilidade contratada no momento da compra. Para quem comprou e vendeu na mesma semana, a perda seria maior, pois o preço de compra seria superior ao de venda, e não haveria incidência de IOF ou Imposto de Renda, que incidem apenas sobre ganhos.
A relação entre preço e taxa nos títulos públicos é inversa: quanto mais distante o vencimento, maior a sensibilidade do preço a variações na taxa. Por isso, o Tesouro IPCA+ 2050 lidera as perdas, mesmo com a menor alta de taxa. O Tesouro Prefixado 2029, com prazo mais curto, teve uma desvalorização de 3,83%, apesar de uma alta de 2,20 pontos percentuais em sua taxa.
Volatilidade e medidas de contenção
A segunda-feira (26) concentrou a maior parte desse movimento de alta nas taxas. A plataforma do Tesouro Direto chegou a ficar fechada pela manhã devido à volatilidade. Na abertura, o Tesouro Prefixado 2032 atingiu 15,78%, a maior taxa histórica para o título, e o Tesouro IPCA+ 2032 chegou a IPCA + 8,10%.
A alta de 2,88 pontos percentuais nos prefixados naquele dia foi a maior desde dezembro de 2004, superando até mesmo a registrada no início da pandemia em março de 2020. Em resposta a essa instabilidade, o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento dos leilões de NTN-B, LFT e prefixados previstos para a semana. Além disso, realizou operações de recompra de títulos, totalizando cerca de R$ 31,6 bilhões na segunda e terça-feira, visando conter a volatilidade do mercado.
Após o choque inicial, os títulos prefixados apresentaram uma leve queda em relação ao fechamento de segunda-feira, enquanto os títulos IPCA+ de longo prazo continuaram a registrar alta em suas taxas. A taxa do Tesouro IPCA+ 2050, que encerrou o dia 26 em IPCA + 7,03%, finalizou a semana em IPCA + 7,28%.



