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Voto evangélico: Flávio Bolsonaro teve melhor desempenho em cidades com mais fiéis

31 de outubro de 2026
Voto evangélico: Flávio Bolsonaro teve melhor desempenho em cidades com mais fiéis

Destaques

  • •Cruzamento de dados do Censo 2022 e votação do segundo turno mostra que Flávio Bolsonaro (PL) obteve maior percentual de votos em municípios com maior proporção de evangélicos.
  • •A associação entre o percentual de evangélicos e o voto em Flávio Bolsonaro foi mais nítida no Centro-Oeste, mas variou em outras regiões do país.
  • •Pesquisa Datafolha indicava que Flávio Bolsonaro tinha 69% de intenção de voto entre evangélicos no primeiro turno.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno das eleições presidenciais para Lula (PT), apresentou seu melhor desempenho eleitoral em municípios com maior concentração de população evangélica. A análise, que cruza dados do Censo 2022 do IBGE sobre religião com os resultados da votação oficializados pelo TSE, revela uma correlação entre a proporção de evangélicos em uma cidade e a votação em Bolsonaro.

A totalização do TSE confirmou a reeleição de Lula com 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa detalha como o desempenho do candidato do PL variou de 7,6% a 90,5% dos votos válidos em diferentes municípios, enquanto a proporção de evangélicos na população dessas mesmas cidades ia de 1,2% a 88,7%.

Associação entre fé e voto por região

O Centro-Oeste se destacou como a região onde a correlação entre a presença evangélica e a votação em Flávio Bolsonaro foi mais clara. Cerca de 42% dos municípios dessa região apresentaram simultaneamente alta proporção de evangélicos e maior votação no candidato do PL. Cidades como Goiânia, Campo Grande e Cuiabá, com percentual de evangélicos acima da média nacional, registraram ampla vitória de Bolsonaro.

No entanto, a relação não se manteve uniforme em todo o território nacional. O Nordeste, principal reduto de Lula, apresentou um cenário diferente. Em 55% dos municípios da região, a proporção de evangélicos era baixa, e Flávio Bolsonaro obteve votação reduzida. O interior nordestino concentrou cidades com menos evangélicos e votação expressiva para Lula, como em Juazeiro do Norte (CE).

Na região Sul, Flávio Bolsonaro demonstrou força mesmo em locais com menor presença evangélica. Municípios como Montauri (RS), com a menor proporção de evangélicos do país, e Caxias do Sul (RS), de maioria católica, votaram em peso no candidato do PL. Arroio do Padre (RS), o município mais evangélico do Brasil, também deu ampla vantagem a Bolsonaro.

No Norte, a situação foi inversa em algumas áreas. Extensões do Amazonas e Pará apresentaram alta presença evangélica, mas a votação de Flávio Bolsonaro ficou na faixa intermediária ou baixa, indicando que, nesses estados, municípios com maior percentual de evangélicos tenderam a registrar percentuais menores de votos em Lula.

Variação do voto evangélico

A análise detalhada por faixas de percentual de evangélicos na população municipal mostra a variação da preferência eleitoral. Nos 502 municípios onde os evangélicos representam até 10% da população, Lula obteve 68,5% dos votos válidos, contra 31,5% de Flávio Bolsonaro. Na faixa de 10% a 20% (1.929 municípios), Lula liderou com 61,3% contra 38,7%.

A diferença diminuiu na faixa de 20% a 30% de evangélicos (1.819 municípios), com Lula obtendo 51,3% e Flávio Bolsonaro, 48,7%. A partir dos 30% de população evangélica, o resultado se inverteu. Nos 973 municípios com proporção de evangélicos entre 30% e 40%, Flávio Bolsonaro alcançou 54,2% e Lula, 45,8%. Na faixa de 40% a 50%, o placar foi de 54,6% a 45,4%. Nos 58 municípios onde mais da metade da população é evangélica, Flávio Bolsonaro chegou a 55,2%, enquanto Lula ficou com 44,8%.

É importante ressaltar que a proporção de evangélicos não explica sozinha a geografia eleitoral, que é influenciada por múltiplos fatores. A correlação indica que as variáveis se movimentam juntas, sem isolar outros elementos que também diferenciam os municípios.

Pesquisas anteriores já indicavam essa tendência. Um levantamento do Datafolha em outubro, após o primeiro turno, mostrou que Flávio Bolsonaro tinha 69% de intenção de voto entre os eleitores evangélicos, contra 25% de Lula. Diferentemente de seu pai, Jair Bolsonaro, que se declara católico, Flávio Bolsonaro foi batizado na fé evangélica.

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