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Ibovespa tem 4ª maior queda semanal do século; entenda os motivos

31 de outubro de 2026
Ibovespa tem 4ª maior queda semanal do século; entenda os motivos

Destaques

  • •O Ibovespa registrou a quarta maior queda semanal de sua história, com recuo de 18,12%, comparável a crises globais e à pandemia.
  • •Economistas apontam que a queda atual difere de choques anteriores, sendo mais uma correção de expectativas após forte alta pré-eleitoral e preocupações fiscais.
  • •O futuro do Ibovespa dependerá das sinalizações do governo sobre a política econômica e a trajetória da dívida pública.

O Ibovespa fechou a semana com uma queda expressiva de 18,12%, configurando a quarta maior retração semanal da Bolsa brasileira neste século. O índice se iguala a períodos marcados por crises globais como a financeira de 2008, a pandemia de Covid-19 em 2020 e os ataques de 11 de Setembro em 2001.

A magnitude da queda, que levou o Ibovespa abaixo dos 168 mil pontos, levanta comparações com momentos de forte instabilidade nos mercados. No entanto, economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam origens distintas para esses movimentos, com a atual desvalorização sendo analisada sob a ótica de uma correção de expectativas após uma forte alta pré-eleitoral e preocupações com o cenário fiscal.

Origens das Crises: Um Olhar Histórico

As quedas semanais mais expressivas do Ibovespa neste século foram:

  • Crise financeira global de 2008: -20,01% na semana de 10 de outubro.
  • Pandemia de Covid-19 em 2020: -18,88% na semana de 20 de março.
  • Ataques de 11 de Setembro em 2001: -18,12% na semana de 14 de setembro.
  • Pós-eleição de 2026: -18,12% na semana de 30 de outubro.

Em 2001 e 2008, a pressão sobre os ativos brasileiros veio de crises originadas nos Estados Unidos e de uma onda global de aversão ao risco. Em 2020, a pandemia gerou um cenário de "absoluta incerteza", com dificuldade em dimensionar a duração e os efeitos econômicos. A crise de 2008, por exemplo, foi marcada pelo contágio da aversão internacional ao risco após a falência do Lehman Brothers, enquanto a pandemia paralisou economias globais e forçou o acionamento do circuit breaker na B3 seis vezes em apenas oito pregões.

A Correção Pós-Eleitoral e o Peso do Fiscal

Diferentemente das crises anteriores, a queda recente do Ibovespa é vista por especialistas como uma correção de expectativas. Após o primeiro turno das eleições de 2026, o índice havia atingido recordes acima dos 209 mil pontos, impulsionado pela expectativa de uma vitória da oposição e uma política econômica voltada à consolidação fiscal. Com a reeleição de Lula, essas posições foram rapidamente desfeitas, levando a uma queda de 13,88% já na segunda-feira seguinte, com acionamento do circuit breaker.

Rafael Cagnin, diretor-executivo do IEDI, destaca que a alta anterior foi um repique forte e de curto prazo, diferente das reversões de patamar vistas em crises anteriores. Ele avalia que houve uma expectativa excessivamente favorável ao cenário projetado pelo mercado antes do segundo turno, seguida por uma correção rápida.

As preocupações fiscais para o próximo mandato também pesam sobre o mercado. Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial, identifica um "overshooting", onde os preços dos ativos reagem intensamente a mudanças nas expectativas. No cenário atual, ele relaciona o movimento ao aumento do prêmio de risco e à menor probabilidade percebida de um programa de correção fiscal.

O Que Esperar a Seguir?

A partir de agora, a trajetória do Ibovespa dependerá das sinalizações do governo sobre a condução da política econômica, a velocidade das medidas de consolidação fiscal e a trajetória da dívida pública. Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, ressalta que a Bolsa negocia expectativas futuras, e o cenário para 2027 em diante começa a ser precificado.

Jason Vieira, economista-chefe da Lev, aponta que o momento também é de incertezas externas, mas que as decisões internas serão cruciais. "Tudo vai depender dos anúncios", afirma, referindo-se às sinalizações do governo sobre a condução fiscal. Uma comunicação crível sobre a trajetória fiscal pode alterar a percepção dos investidores e influenciar os próximos movimentos da Bolsa.

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