Varejo pede diálogo e adiamento de reformas ao governo Lula

Destaques
- •Setor varejista busca reaproximação com o governo Lula para discutir juros, jornada de trabalho e reforma tributária.
- •Empresários defendem queda da taxa Selic para destravar negócios e reduzir inadimplência, além de mais prazo para implantação de mudanças trabalhistas e fiscais.
- •O setor espera que o novo mandato de Lula priorize o diálogo com a iniciativa privada e a sinalização de controle da dívida pública.
Empresários e entidades do setor varejista brasileiro esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um novo mandato a partir de janeiro de 2027, reabra o canal de diálogo com a iniciativa privada. A expectativa é por uma reaproximação que seja vista como importante tanto pelo governo quanto pelo setor, conforme destacou Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza.
Entre os principais pleitos do varejo estão a sinalização mais clara e consistente sobre a queda da taxa de juros, o aumento do prazo para a implantação da mudança na escala de trabalho de 5x2 com redução de jornada (de 44 para 40 horas semanais) e o adiamento da entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária, prevista para 2027.
Juros e crédito como impulsionadores de vendas
A redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, é vista como crucial para destravar negócios e impulsionar as vendas no varejo. Com um custo de crédito menor, os empresários acreditam que será possível atenuar o alto custo de carregamento de dívidas, que tem levado muitas varejistas a pedir recuperação judicial e extrajudicial.
Para Trajano, o próximo governo precisará reprogramar os gastos públicos para acelerar a queda dos juros. "O capital é o combustível da iniciativa privada. Se o custo de capital está alto, nós não conseguimos usar esse combustível", afirmou.
Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa cerca de 70 varejistas de médio e grande porte, reforça que o nível atual dos juros é um forte impedimento para o crescimento do varejo e a melhora do consumo. Ele aponta que uma sinalização do governo sobre o controle da dívida pública seria fundamental para aumentar a confiança de empresários e consumidores na economia.
Diálogo e demandas setoriais
Gonçalves Filho ressaltou que, apesar de não ter tido dificuldades de interlocução com o atual governo, nem todas as demandas do varejo foram atendidas. Ele citou como exemplo o fim do imposto de importação sobre produtos de baixo valor, que isentou sites internacionais, e atribuiu a falta de sucesso a questões pré-eleitorais.
O IDV pretende retomar as conversas com o governo, apresentando dados que demonstrem o prejuízo para a indústria e o varejo nacional com a não tributação de importados. A entidade também busca mais prazo para a adaptação à nova escala de trabalho e à reforma tributária.
"Pelo capital político que adquiriu nas eleições, acho que o governo tem todas as condições de conseguir isso", disse Gonçalves Filho, destacando que essa seria uma forma de o governo se reaproximar dos empresários do varejo.



