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Varejo pede diálogo e adiamento de reformas ao governo Lula

27 de outubro de 2026
Varejo pede diálogo e adiamento de reformas ao governo Lula

Destaques

  • •Setor varejista busca reaproximação com o governo Lula para discutir juros, jornada de trabalho e reforma tributária.
  • •Empresários defendem queda da taxa Selic para destravar negócios e reduzir inadimplência, além de mais prazo para implantação de mudanças trabalhistas e fiscais.
  • •O setor espera que o novo mandato de Lula priorize o diálogo com a iniciativa privada e a sinalização de controle da dívida pública.

Empresários e entidades do setor varejista brasileiro esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um novo mandato a partir de janeiro de 2027, reabra o canal de diálogo com a iniciativa privada. A expectativa é por uma reaproximação que seja vista como importante tanto pelo governo quanto pelo setor, conforme destacou Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza.

Entre os principais pleitos do varejo estão a sinalização mais clara e consistente sobre a queda da taxa de juros, o aumento do prazo para a implantação da mudança na escala de trabalho de 5x2 com redução de jornada (de 44 para 40 horas semanais) e o adiamento da entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária, prevista para 2027.

Juros e crédito como impulsionadores de vendas

A redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, é vista como crucial para destravar negócios e impulsionar as vendas no varejo. Com um custo de crédito menor, os empresários acreditam que será possível atenuar o alto custo de carregamento de dívidas, que tem levado muitas varejistas a pedir recuperação judicial e extrajudicial.

Para Trajano, o próximo governo precisará reprogramar os gastos públicos para acelerar a queda dos juros. "O capital é o combustível da iniciativa privada. Se o custo de capital está alto, nós não conseguimos usar esse combustível", afirmou.

Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa cerca de 70 varejistas de médio e grande porte, reforça que o nível atual dos juros é um forte impedimento para o crescimento do varejo e a melhora do consumo. Ele aponta que uma sinalização do governo sobre o controle da dívida pública seria fundamental para aumentar a confiança de empresários e consumidores na economia.

Diálogo e demandas setoriais

Gonçalves Filho ressaltou que, apesar de não ter tido dificuldades de interlocução com o atual governo, nem todas as demandas do varejo foram atendidas. Ele citou como exemplo o fim do imposto de importação sobre produtos de baixo valor, que isentou sites internacionais, e atribuiu a falta de sucesso a questões pré-eleitorais.

O IDV pretende retomar as conversas com o governo, apresentando dados que demonstrem o prejuízo para a indústria e o varejo nacional com a não tributação de importados. A entidade também busca mais prazo para a adaptação à nova escala de trabalho e à reforma tributária.

"Pelo capital político que adquiriu nas eleições, acho que o governo tem todas as condições de conseguir isso", disse Gonçalves Filho, destacando que essa seria uma forma de o governo se reaproximar dos empresários do varejo.

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