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Bolsa brasileira perde R$ 734 bilhões após reeleição de Lula; Ibovespa tenta recuperação

27 de outubro de 2026
Bolsa brasileira perde R$ 734 bilhões após reeleição de Lula; Ibovespa tenta recuperação

Destaques

  • •Mercado reage negativamente à reeleição de Lula, com Ibovespa caindo 13,88% e valor de mercado da B3 em R$ 4,95 trilhões.
  • •Investidores aguardam sinais do novo governo, especialmente sobre o Ministério da Fazenda, e o Tesouro Nacional cancela leilões de títulos.
  • •Apesar da queda, o Ibovespa tenta recuperação nesta terça-feira (27), com o dólar em queda ante o real.

O mercado financeiro brasileiro registrou uma forte reação negativa à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (26). Na segunda-feira (27), primeiro pregão após o resultado, o valor de mercado consolidado das empresas listadas na B3 despencou R$ 734 bilhões, saindo de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,950 trilhões. Essa queda de 12,91% em um único dia superou o valor de mercado da Petrobras, estimado em R$ 746 bilhões, e eliminou os ganhos acumulados desde o primeiro turno das eleições.

Reação do Mercado e Perdas na Bolsa

A forte desvalorização interrompeu uma trajetória de recuperação observada entre 2 e 23 de outubro, período em que o valor de mercado das companhias havia aumentado R$ 409 bilhões. A perda de R$ 734 bilhões na segunda-feira não apenas anulou esses ganhos, mas também deixou o valor de mercado da Bolsa R$ 325 bilhões abaixo do patamar de 2 de outubro. A queda de 13,88% no Ibovespa, aos 176.608,23 pontos, foi o menor nível desde 31 de agosto e provocou o primeiro circuit breaker desde março de 2020.

O dólar à vista encerrou o dia a R$ 5,4029, com alta de 0,92%, enquanto a curva de juros futuros abriu mais de 200 pontos-base. A forte retração consumiu 75,5% da valorização acumulada ao longo de quase dez meses desde o encerramento de 2025. Apesar disso, o valor de mercado consolidado ainda permanece R$ 238 bilhões acima do registrado no fim de 2025, uma valorização de 5,05% no ano.

Expectativas e Sinalizações do Governo

O mercado aguarda sinalizações do novo governo sobre a composição ministerial, especialmente para o Ministério da Fazenda. Nomes como Rafael Fonteles (governador reeleito no Piauí), Geraldo Alckmin (vice-presidente) e Gabriel Galípolo (presidente do Banco Central) são cotados para a pasta. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Fonteles é um "bom nome" para o cargo.

O presidente Lula se reuniu com os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Davi Alcolumbre, para comunicar o apoio à recondução de ambos em 1º de fevereiro de 2027. Essa aliança é vista como crucial para a governabilidade em um Congresso que saiu das urnas com maioria mais conservadora.

Medidas do Tesouro e Cenário Externo

Em meio à volatilidade, o Tesouro Nacional cancelou todos os leilões de títulos públicos da semana, incluindo LFTs, títulos prefixados e indexados à inflação. O órgão também anunciou a recompra de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) com diferentes vencimentos. O Tesouro afirmou que continuará monitorando as condições de mercado e atuará para assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos.

No cenário internacional, os mercados operam sem direção única. A expectativa é de que o Federal Reserve (Fed) mantenha as taxas de juros inalteradas na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Esforços diplomáticos para o fim da guerra entre EUA e Irã aliviaram as tensões no Oriente Médio, levando à queda nos preços do petróleo. Gigantes da tecnologia como Alphabet, Microsoft e Amazon divulgarão seus resultados trimestrais, que serão analisados em busca de sinais de que os investimentos em IA estão se traduzindo em crescimento.

Recuperação e Ajustes

Nesta terça-feira (27), o Ibovespa futuro iniciou o pregão em leve queda, mas logo inverteu o sinal para o positivo, buscando recuperação das fortes perdas da véspera. Por volta das 10h10, o principal índice da bolsa brasileira tinha leve alta de 0,35%, aos 177.230,25 pontos. O dólar à vista operava em queda ante o real, a R$ 5,3583 (-0,82%), na contramão do desempenho da moeda no exterior. O Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros após a vitória eleitoral de Lula, citando deterioração no risco-retorno.

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