Chanceler alemão propõe aliança estratégica Europa-Ásia contra instabilidade global

Destaques
- •Friedrich Merz defende aliança entre potências médias europeias e asiáticas para comércio, tecnologia e segurança.
- •Proposta visa reduzir dependências unilaterais e mitigar riscos de uma nova era geopolítica, sem propor desacoplamento total da China.
- •O chanceler alemão visita Ásia, incluindo Japão e Coreia do Sul, em busca de cooperação estratégica.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, apelou nesta terça-feira (data não especificada nos textos) para que potências médias europeias e asiáticas formem uma aliança estratégica em comércio, tecnologia e segurança. Em um discurso em Cingapura, primeira parada de uma viagem de uma semana pela Ásia, Merz alertou que a erosão da ordem global estabelecida ameaça os interesses comuns dessas nações.
"Estamos no limiar de uma nova era geopolítica", declarou Merz no Instituto ISEAS Yusof Ishak. "Nossa liberdade, nossa soberania, nossa segurança e nossa prosperidade estão em jogo", acrescentou, defendendo uma cooperação mais estreita entre os países de médio porte de ambos os continentes. A viagem do chanceler inclui ainda visitas ao Japão e à Coreia do Sul.
Proposta de acordo inter-regional
Merz propôs a criação de um acordo inter-regional com os membros do Acordo Abrangente e Progressivo de Parceria Transpacífica (CPTPP). Este bloco reúne 12 nações, incluindo Japão, Reino Unido, Canadá e Cingapura. Segundo o chanceler, a União Europeia e os parceiros do CPTPP juntos representam mais de um terço do comércio global.
O chanceler alemão descreveu o esforço para estreitar laços entre Europa e Ásia como "de natureza estratégica e de longo prazo", considerando-o "uma das nossas respostas mais importantes para a nova era". O objetivo é fortalecer a posição dessas economias em um cenário global em transformação.
Política em relação à China e dependências
Em relação à China, Merz afirmou que a política da Alemanha está "amadurecendo" e alinhada com a União Europeia. Ele alertou contra um desacoplamento econômico total da China, classificando-o como "um erro" que "não nos tornaria nem mais seguros nem mais prósperos".
Em vez disso, o chanceler defendeu que a Europa e a Ásia devem focar na redução de "dependências prejudiciais e unilaterais" em cadeias de abastecimento, tecnologias e matérias-primas. No entanto, Merz ressaltou que, em casos onde a concorrência comercial é "distorcida devido ao excesso de capacidade sistêmico ou a restrições sobre exportações e ao acesso ao mercado, são necessárias medidas corretivas".
Contexto e próximos passos da UE
A fala de Merz ocorre em um momento em que a União Europeia busca reavaliar suas relações comerciais. Na semana passada, ministros da UE pediram acordos com Pequim para conter importações em diversos setores, como produtos químicos e maquinário. A medida visa lidar com um déficit comercial de bens que cresceu para mais de 1 bilhão de euros (1,1 bilhão de dólares) por dia.
A proposta de aliança estratégica busca criar um bloco de influência para potências médias, equilibrando o poder em um cenário global cada vez mais complexo e incerto, com foco em resiliência e soberania econômica e tecnológica.



