Trump anuncia fim de repasses anuais de US$ 4 bilhões a Israel

Destaques
- •Presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os repasses anuais de US$ 4 bilhões a Israel serão encerrados até dezembro.
- •A justificativa apresentada foi a de que Israel não necessita mais da assistência financeira, que se tornou um ponto de crítica política interna nos EUA.
- •A decisão, comunicada a Netanyahu, ocorre em meio à queda do apoio popular a Israel nos Estados Unidos, especialmente entre eleitores democratas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (03/11) que pretende encerrar os repasses anuais de US$ 4 bilhões (R$ 21,72 bilhões) a Israel até o fim de dezembro. Segundo ele, a decisão foi acertada com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, sob a justificativa de que o país não depende mais da assistência financeira de Washington.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa Fox & Friends, da emissora Fox News. Trump afirmou que o apoio financeiro a Israel se tornou um instrumento de crítica utilizado por democratas e setores da esquerda americana contra o Partido Republicano. "Já concordamos que, até o fim deste ano, deixaremos de pagar Israel. Agora, ajudaremos Israel se precisar", declarou o presidente.
O que está em jogo?
Ainda não está definido qual modalidade de assistência Trump pretende suspender. O acordo de entendimento atualmente em vigor estabelece US$ 3,8 bilhões (R$ 20,44 bilhões) anuais em ajuda militar americana a Israel e tem validade até 2028. As negociações sobre os termos da cooperação militar após esse prazo já estão em andamento.
Durante a entrevista, Trump também afirmou que Israel e países europeus poderão adquirir armamentos norte-americanos, destacando a capacidade da indústria bélica dos Estados Unidos.
Contexto e Repercussão
Em maio, Netanyahu havia declarado, em entrevista à emissora CBS, que pretendia reduzir a dependência israelense da ajuda militar americana ao longo dos próximos dez anos. No mês seguinte, em carta enviada a um congressista dos Estados Unidos, o premiê defendeu uma mudança na relação entre os dois países, afirmando que Israel deveria deixar de receber assistência e passar a atuar como parceiro de Washington.
O anúncio ocorre em meio à queda do apoio popular a Israel nos Estados Unidos, especialmente entre os eleitores democratas, desde o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, em 2023. Levantamento da Universidade Quinnipiac, realizado em junho, apontou que 48% dos eleitores norte-americanos e 66% dos democratas consideram excessivo o apoio dos Estados Unidos a Israel. Em 2017, quando a mesma pergunta foi feita pela primeira vez, os índices eram de 16% e 20%, respectivamente.
A mudança de percepção também tem reflexos dentro do Partido Democrata. Candidatos que criticam a política israelense vêm conquistando espaço nas eleições primárias, enquanto parlamentares moderados demonstram maior disposição para questionar o histórico de assistência financeira e militar concedida por Washington a Tel Aviv.
Motivação Política
Trump voltou a relacionar a suspensão dos repasses à disputa política interna norte-americana. Segundo ele, os democratas utilizam os bilhões destinados a Israel como argumento para acusar os republicanos de injustiça. O presidente reiterou que os pagamentos serão encerrados em dezembro porque, em sua avaliação, o governo israelense não precisa mais dos recursos.
Até a tarde desta terça-feira, o gabinete de Netanyahu não havia se manifestado sobre o anúncio. Gadi Eisenkot, líder da oposição israelense, afirmou que a declaração de Trump demonstra que Netanyahu representa um perigo para Israel. Eisenkot trabalha para articular a formação de um novo governo após as eleições.
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