Senado debate crise humanitária Yanomami em audiência no AM

Destaques
- •Indígenas Yanomami relatam dificuldades de acesso à saúde, segurança e persistência do garimpo ilegal em audiência pública no AM.
- •Funai anuncia criação de fórum com povos indígenas e governo para buscar soluções conjuntas para os problemas da região.
- •Senado discute plano decenal de investimentos e intensifica operações militares na fronteira após denúncias de entrada de guerrilheiros.
A subcomissão do Senado que acompanha a crise humanitária dos ianomâmis realizou uma audiência pública em São Gabriel da Cachoeira (AM) na última sexta-feira (30). Durante o encontro, representantes indígenas denunciaram a persistência do garimpo ilegal, dificuldades no acesso à saúde e à segurança, além de relatarem a entrada de guerrilheiros na região de fronteira.
A audiência faz parte de uma série de diligências da subcomissão no estado do Amazonas, que incluiu visitas a Manaus e São Gabriel da Cachoeira. A terra indígena ianomâmi, homologada em 1992, é a maior do país, com aproximadamente 9,66 milhões de hectares, distribuídos em 438 aldeias nos estados do Amazonas e Roraima.
Plano decenal e ações governamentais
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da subcomissão, defendeu a criação de um plano decenal de investimentos para o território, argumentando que os recursos emergenciais destinados nos últimos três anos (R$ 2,2 bilhões para ações emergenciais e R$ 3,7 bilhões para saúde indígena) não foram suficientes para resolver os problemas estruturais.
A presidente da Funai, Lucia Alberta Baré, apresentou ações do governo federal, como a retirada de cerca de 95% dos garimpeiros ilegais e a distribuição de mais de 210 mil cestas de alimentos. Ela reconheceu, no entanto, a necessidade de ampliar a fiscalização, melhorar a logística de acesso às comunidades e recuperar áreas degradadas.
Como resultado da audiência, a Funai anunciou a criação de um fórum territorial, com representantes indígenas e de órgãos governamentais, para discutir e buscar soluções conjuntas para questões como segurança territorial, consumo de álcool e execução de recursos públicos.
Segurança na fronteira e garimpo persistente
A senadora Damares Alves também levantou denúncias sobre a entrada de guerrilheiros na região de fronteira com a Colômbia. O comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, general Luiz Antonio Campos Mota, confirmou relatos de moradores e informou que o Exército intensificou as operações militares e o reconhecimento de fronteira para dissuadir grupos não nacionais.
O general destacou a importância da participação das comunidades indígenas, muitas das quais compõem o efetivo militar, na identificação de ameaças. Todas as denúncias são verificadas e encaminhadas às autoridades competentes.
Representantes do povo ianomâmi, como João da Silva Figueiredo, da Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca), relataram a persistência do garimpo ilegal, especialmente na região do Pico da Neblina, onde a degradação ambiental compromete áreas de caça e subsistência. Também foram apontadas dificuldades no acesso aos serviços de saúde, principalmente para comunidades mais isoladas.
Matérias originais
- Ianomâmis relatam problemas com saúde e garimpo; Damares quer plano decenal · www12.senado.leg.br



