Senado: Alcolumbre articula anistia a Bolsonaro para buscar reeleição

Destaques
- •Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estaria disposto a negociar anistia ou indulto para o ex-presidente Jair Bolsonaro em troca de apoio para sua reeleição.
- •A articulação visa também diminuir a pressão por impeachment de ministros do STF e fortalecer a candidatura de Alcolumbre diante da nova composição do Senado.
- •Rogério Marinho, cotado para a presidência do Senado, defende voto aberto para a direita e critica a postura de Alcolumbre em relação ao STF.
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), estaria articulando uma estratégia para garantir sua reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027. A principal moeda de troca seria uma possível anistia ou indulto para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A informação, divulgada pela Folha de S.Paulo e repercutida por outros veículos, indica que Alcolumbre busca apoio de parlamentares da direita para se manter no cargo, em um cenário de fortalecimento da oposição no Congresso. A articulação também teria como objetivo reduzir a pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro. Alcolumbre teria planos de conversar com o presidente Lula (PT) para propor um indulto humanitário a Bolsonaro, e caso não obtenha sucesso, trabalharia pela aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional. A nova bancada conservadora no Senado, com o PL detendo a maior força, pode influenciar significativamente a eleição para a presidência da Casa.
Articulação política e interesses em jogo
A estratégia de Alcolumbre visa não apenas garantir sua permanência na presidência do Senado, mas também atuar como um mediador em um momento de alta polarização política. Ao propor uma solução para a situação de Bolsonaro, o senador busca angariar apoio de setores da direita e centro-direita, ao mesmo tempo em que tenta apaziguar os ânimos em relação ao STF. A nova composição do Senado, com uma maioria conservadora, representa um desafio para Alcolumbre, que tem enfrentado críticas por sua postura em relação aos ministros da Corte.
Rogério Marinho e a oposição no Senado
Em contrapartida, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e nome forte do bolsonarismo, articula para impedir a reeleição de Alcolumbre. Marinho defende que os senadores de direita divulguem publicamente seus votos na eleição para a presidência do Senado, como forma de evitar que integrantes do grupo votem secretamente em Alcolumbre. Ele critica a blindagem de Alcolumbre aos ministros do STF, que são alvos de pedidos de impeachment. A bancada do PL, com 29 senadores, é a maior da Casa, o que confere força à oposição na disputa pelo comando do Senado. Outra parlamentar de direita interessada no cargo é Tereza Cristina (PP-MS).
Próximos passos e desdobramentos
A eleição para a presidência do Senado está marcada para fevereiro de 2027. As articulações nos bastidores já começaram, com Alcolumbre buscando consolidar seu apoio e Marinho trabalhando para unificar a oposição. A definição do comando da Casa terá impacto direto na agenda legislativa e nas pautas que serão priorizadas nos próximos anos, incluindo discussões sobre o STF e temas de interesse do grupo conservador.



