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Preços globais de alimentos caem em outubro, mas seguem 6% mais altos que no ano anterior

06 de novembro de 2026
Preços globais de alimentos caem em outubro, mas seguem 6% mais altos que no ano anterior

Destaques

  • •Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou queda em outubro, impulsionado por cereais, laticínios e carnes.
  • •Apesar da queda mensal, os preços globais de alimentos permanecem 5,9% acima dos níveis de outubro de 2022.
  • •A valorização do dólar no Brasil pode encarecer alimentos como carne e açúcar para o consumidor interno, apesar da queda nos preços internacionais.

Os preços mundiais dos alimentos registraram uma ligeira queda em outubro, impulsionados pela menor demanda por importações, que contribuiu para quedas mensais nos preços de cereais, laticínios e carnes. No entanto, os valores ainda se mantêm quase 6% mais altos do que no mesmo período do ano anterior, conforme informou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que monitora as variações mensais em uma cesta de commodities alimentícias, atingiu uma média de 133,9 pontos em outubro, abaixo dos 135,6 pontos revisados de setembro. Apesar da queda em relação ao mês anterior, o índice permaneceu 5,9% acima do registrado em outubro de 2022, mas ainda 16,4% abaixo de seu pico em março de 2022.

Queda nos preços de cereais e carnes

O índice de preços de cereais da FAO recuou 4,5% em relação a setembro e ficou 12,6% abaixo do registrado no ano anterior. A queda nas cotações do trigo e do milho foi influenciada pela fraca demanda por importações e melhores perspectivas de produção, especialmente na Argentina. Expectativas de flexibilização das restrições aos fluxos de exportação do Mar Negro também pressionaram os preços para baixo, embora interrupções logísticas tenham limitado essa queda.

Os preços do milho também cederam após atingirem o maior valor em três anos em setembro, pressionados pela safra dos EUA, pela oferta abundante esperada na América do Sul e pela amenização das tensões na região do Mar Negro. Por outro lado, os preços dos óleos vegetais subiram 0,3%, com a alta da soja e do óleo de girassol superando a queda no óleo de colza.

O índice de laticínios caiu 1,1%, com preços mais baixos de manteiga e queijo, associados à oferta abundante e demanda moderada, superando os ganhos no leite em pó. O índice de carnes recuou 1,2%, ainda ligeiramente acima do nível do ano anterior, devido à queda nos preços das carnes suína, ovina e bovina.

Açúcar em alta e impacto no Brasil

Os preços do açúcar subiram 6,6%, marcando o quarto aumento mensal consecutivo e atingindo o nível mais alto desde dezembro de 2024. Essa alta foi causada por chuvas que interromperam a colheita no Brasil, e os preços estão agora 28,8% acima do nível do ano anterior.

No Brasil, apesar de ser um grande produtor e exportador de alimentos, a valorização do dólar pode encarecer produtos como carne, frango e açúcar para o consumidor interno. Isso ocorre porque muitas commodities são negociadas em dólar, e a alta da moeda americana torna as exportações mais rentáveis para as empresas. Um dólar alto pode levar frigoríficos a priorizar a exportação de carne bovina, pressionando os preços internos.

O milho, insumo para a ração de aves, também pode sofrer alta de preço, impactando o custo de produção do frango. O açúcar, por sua vez, também está sujeito a essa dinâmica cambial. "Todos os produtos que têm relação com as exportações e suas cotações em dólar podem sofrer impactos significativos nos preços aqui no Brasil", explicou Rafael Perretti, economista da Clear Corretora.

Dólar alto e riscos inflacionários no Brasil

A valorização cambial e o consequente aumento dos custos de produtos dolarizados podem gerar pressões inflacionárias no Brasil. "Um dólar elevado traz um carrego inflacionário", alertou Perretti.

Essa combinação de dólar alto e risco inflacionário também afeta o mercado de juros futuros. Investidores reavaliam suas expectativas para a trajetória das taxas de juros no Brasil diante da incerteza fiscal e do aumento dos gastos públicos. O risco fiscal eleva a remuneração exigida pelos investidores para financiar o governo, pressionando os juros de mercado. A inflação representa um desafio adicional para a política monetária, podendo dificultar reduções da Selic.

"A gente tem um risco fiscal que traz uma elevação do dólar e traz uma inflação que puxa a nossa taxa de juros básica", concluiu o economista.

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