Eleições nos EUA: Midterms moldam corrida presidencial de 2028

Destaques
- •Resultados das eleições de meio de mandato nos EUA já apontam para a disputa presidencial de 2028, com democratas ganhando impulso e republicanos reavaliando estratégias.
- •Candidatos potenciais como Jon Ossoff e Josh Shapiro (democratas) e figuras como JD Vance e Sarah Huckabee Sanders (republicanos) emergiram ou se consolidaram nas midterms.
- •A próxima corrida presidencial americana será moldada pelas vitórias democratas, a busca por uma identidade própria por parte dos republicanos e a reconfiguração de redutos eleitorais.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms, embora ainda com votos sendo contados, já direcionam o foco para a corrida presidencial de 2028. Democratas ganharam força com vitórias significativas no Congresso, enquanto republicanos buscam redefinir suas estratégias após os resultados. O desempenho nas midterms não garante a vitória na disputa pela Casa Branca, como demonstrado em 2010, quando grandes vitórias republicanas precederam a reeleição de Barack Obama em 2012.
Embora oficialmente não haja candidatos declarados para suceder o presidente Donald Trump, nomes em potencial já se preparam nos bastidores. Declarações do vice-presidente JD Vance sobre as derrotas republicanas foram interpretadas como um ensaio para uma candidatura em 2028. Os resultados das midterms podem moldar a próxima corrida presidencial de diversas formas, com vários candidatos em potencial se destacando.
Grandes Vencedores das Midterms Ganham Impulso
Diversos potenciais candidatos à presidência tiveram destaque nas midterms. O senador democrata Jon Ossoff (Geórgia) venceu com margem considerável, projetando-se nacionalmente. O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, derrotou seu adversário republicano com folga, e sua popularidade em um Estado-chave o torna competitivo nacionalmente. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, embora impedido de concorrer à reeleição, está atento a iniciativas populares que podem impactar a arrecadação do Estado.
Pelo lado republicano, o senador Tom Cotton e a governadora Sarah Huckabee Sanders (ex-secretária de imprensa de Trump) mantiveram seus cargos no Arkansas, mas com margens menores. Pesquisas de boca de urna sugerem que a raiva dos eleitores com as ações do governo Trump contribuiu para a maré negativa republicana, o que pode ser um desafio para potenciais sucessores como JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
Republicanos Buscam Nova Identidade Pós-Trump
JD Vance tem buscado se distanciar de derrotas e de políticas controversas, atribuindo parte da culpa pela derrota republicana à "guerra" no Irã e defendendo o encerramento imediato do conflito. Sua estratégia visa construir uma identidade política própria, focando em nacionalismo econômico e segurança pública, sem romper explicitamente com Donald Trump. A mudança foi comunicada à Casa Branca e recebeu apoio de aliados conservadores.
Outros republicanos, como o senador Ted Cruz e o governador da Flórida, Ron DeSantis, também criticaram a abordagem do partido, com DeSantis destacando as vitórias na Flórida como modelo. A busca por uma nova mensagem para eleitores latinos e da classe trabalhadora é vista como crucial, com a ex-porta-voz Driena Sixto apontando a ênfase em deportações como um fator de divisão.
Democratas de Esquerda e Centro de Olho no Futuro
Tanto a ala centrista quanto a de esquerda do Partido Democrata reivindicam vitórias nas midterms, analisando seus potenciais candidatos para 2028. A vitória de El-Sayed em Michigan é vista como um impulso para candidatos de esquerda, que buscam provar que podem vencer em Estados decisivos com propostas econômicas ousadas. Candidatos como a representante Alexandria Ocasio-Cortez podem se beneficiar desse cenário.
Democratas moderados, representados pelo "Blue Dog Caucus", também celebraram conquistas, defendendo que candidatos pragmáticos podem atrair eleitores republicanos. O foco em questões de custo de vida e a combinação de populismo econômico com novas preocupações, como data centers, devem ser prioridades.
Cenário Político em Transformação e Coligações Instáveis
Ambos os partidos enfrentarão um cenário político em transformação e coligações de apoio instáveis em 2028. Regiões antes consideradas "seguras" para republicanos, como o Texas, podem se tornar disputadas. A analista política Christina Pascucci afirma que as midterms desafiaram pressupostos políticos antigos, exigindo que os partidos conquistem eleitores indecisos e não considerem seus redutos tradicionais como garantidos.
Eleitores latinos e da classe trabalhadora que apoiaram Trump demonstraram um recuo, revertendo ganhos anteriores. A necessidade de adaptar a mensagem para esses grupos é vista como fundamental para o futuro republicano. A disputa pela sucessão republicana em 2028 pode envolver nomes como JD Vance e Marco Rubio, com o desafio de manter a base de Trump e, ao mesmo tempo, estabelecer diferenças.



