França: Protestos contra custo de vida reúnem menos pessoas, mas mantêm pressão sobre Macron

Destaques
- •Manifestações em Paris neste sábado (07/11) reuniram cerca de 7 mil pessoas, número inferior ao esperado, mas indicam continuidade da contestação ao governo Macron.
- •Comerciantes temem prejuízos com vandalismo e impacto nas vendas de Natal, enquanto autoridades mobilizam 70 mil policiais para conter distúrbios.
- •Primeiro-ministro francês receberá representantes de estudantes na segunda-feira (09/11) para iniciar negociações sobre as reivindicações.
Um novo dia de protestos em Paris neste sábado (07/11) reuniu cerca de 7 mil pessoas, número inferior ao esperado, mas demonstrou que o movimento de contestação ao governo do presidente Emmanuel Macron continua ativo após seis semanas de manifestações. A mobilização ocorre apenas dois dias após uma grande convocação nacional que uniu trabalhadores, estudantes e aposentados.
A convocação deste sábado foi feita por sindicatos, organizações estudantis e movimentos juvenis, que mantêm a pressão sobre o governo em torno de reivindicações ligadas ao custo de vida, ao poder de compra e à deterioração das condições sociais no país. Entre os manifestantes, predominava a crítica à situação econômica e ao que muitos consideram um distanciamento crescente entre a classe política e a população.
Comerciantes temem prejuízos e vandalismo
A perspectiva de novos confrontos levou muitos comerciantes da capital francesa a adotarem medidas preventivas, com diversas lojas permanecendo fechadas e protegidas por tapumes. O temor dos empresários aumentou após episódios de vandalismo registrados em 17 de outubro, quando estabelecimentos foram danificados. Além dos prejuízos imediatos, comerciantes estão preocupados com o impacto da crise na imagem internacional de Paris e no período de Natal, que pode representar cerca de 30% do faturamento anual de muitos estabelecimentos.
Forte esquema de segurança e proibição de atos
As autoridades organizaram uma ampla operação para evitar novos incidentes, mobilizando 70 mil policiais e agentes de segurança em todo o território nacional. Até as 14h, as forças de segurança haviam realizado aproximadamente 15 mil controles em estações de metrô, rodovias e trens. Paralelamente, integrantes do movimento dos “coletes amarelos” convocaram um ato separado na Praça da Concórdia, que foi proibido pelas autoridades. Cerca de 30 pessoas que realizaram o ato foram multadas em até 135 euros.
Educação prepara nova greve e governo abre negociações
A contestação social deve ganhar novo capítulo na próxima semana. Uma coalizão que reúne sindicatos de professores, estudantes do ensino médio e universitários convocou uma greve nacional para terça-feira (10/11). Diante da pressão crescente, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou que receberá representantes dos estudantes do ensino médio e universitários na segunda-feira (09/11), em Paris. A reunião deverá marcar a abertura de uma primeira rodada de negociações sobre as reivindicações que alimentam uma das mais longas ondas de protestos sociais dos últimos anos na França.
Matérias originais
- Protestos em Paris mantêm pressão sobre governo de Macron · operamundi.uol.com.br
- França registra 4º sábado seguido de protestos · poder360.com.br



