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CEO da Arko: Investidor que se adapta à polarização política "ganha muito dinheiro"

07 de novembro de 2026
CEO da Arko: Investidor que se adapta à polarização política "ganha muito dinheiro"

Destaques

  • •Thiago Aragão, CEO da Arko, defende que investidores que compreendem e se adaptam à polarização política brasileira obtêm maior sucesso financeiro.
  • •Aragão critica a contaminação da opinião pessoal na esfera institucional e o foco em intenções em detrimento de realizações na política.
  • •A Conferência MBA Brasil, em Chicago, reúne executivos para discutir perspectivas de negócios e empreendedorismo.

O investidor que busca sucesso financeiro no Brasil deve se adaptar à polarização política, em vez de se deixar levar por visões extremas. A afirmação é de Thiago Aragão, CEO da Arko, durante participação em painel na Conferência MBA Brasil, realizada em Chicago, nos Estados Unidos. Segundo ele, o investidor mais jovem tende a ser mais dramático, oscilando entre a euforia e o pessimismo diante das mudanças políticas.

Aragão explicou que o mercado brasileiro funciona por meio de acordos, cuja previsão é desafiadora. Ele ressaltou a importância de conhecer os personagens políticos e suas motivações, sem emitir juízos de valor. "O investidor que entende isso ganha muito dinheiro", afirmou, citando como exemplo o forte investimento estrangeiro em São Paulo, que abriga os maiores parques industriais alemães, japoneses e suecos fora de seus países de origem.

A contaminação da política nas empresas

O CEO da Arko alertou para a "contaminação da opinião pessoal para a institucional" nas empresas, muitas vezes alimentada pelas redes sociais. Essa dinâmica leva as pessoas a acreditarem em cenários de "cataclisma ou El Dorado", em vez de uma análise mais ponderada.

Ele comparou a situação com a evolução de outros setores, como transporte e alimentação, onde a adaptação à nova realidade foi essencial. Na política, segundo Aragão, a "política de intenções" tem se sobressaído à de realizações, pois as burocracias permanecem como barreiras. A justificativa de que um político agiria diferente em "condições ideais" cria uma "realidade paralela", que pode levar empresários a aceitarem o fracasso em seus negócios.

"A política começa a se funcionar em linhas cinzas e isso é transferido para dentro das empresas", disse Aragão, apontando que essa tendência prejudica a capacidade de convergência, essencial para a política e para a tomada de decisões.

Polarização e a vida real

Aragão utilizou a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva como um exemplo da polarização que transcende a política e afeta a vida cotidiana. Ele observou que, para muitos, o resultado representou a "glória para o Brasil", enquanto para outros, o "fim do Brasil".

Essa polarização, segundo o CEO, "agrupa o indivíduo em cima do que ele odeia, não o que gosta", o que é problemático. "Isso destrói capacidade de convergência, que é a principal característica da política e prejudica a tomada de decisão das formas mais profundas possíveis", alertou.

Ele concluiu que as pessoas estão com "excessos de certezas e falta de dúvidas", quando o progresso, na verdade, depende das dúvidas.

Conferência MBA Brasil

A Conferência MBA Brasil 2026, em sua quinta edição, ocorre nos dias 6 e 7 de novembro em Chicago, nos Estados Unidos. O evento reúne executivos de grandes empresas brasileiras e globais para debater os rumos e as perspectivas de negócios nos principais setores da economia e do empreendedorismo no Brasil.

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