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PL busca alianças no Congresso após derrota de Flávio Bolsonaro

07 de novembro de 2026
PL busca alianças no Congresso após derrota de Flávio Bolsonaro

Destaques

  • •Após a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, o PL tenta negociar o comando da Câmara e do Senado, mas enfrenta dificuldades com o Centrão.
  • •A sigla, que possui as maiores bancadas, depende do apoio de outros partidos para aprovar pautas importantes, como impeachment de ministros do STF.
  • •A decisão do PL sobre lançar candidatura própria ou apoiar a reeleição de Hugo Motta na Câmara será tomada em reunião da bancada em 11 de novembro.

O Partido Liberal (PL) reorganiza sua estratégia para disputar os comandos da Câmara e do Senado após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Apesar de deter as maiores bancadas nas duas Casas, a sigla necessita do apoio do Centrão para formar maiorias, mas o bloco tem reavaliado suas alianças diante da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e das contestações de Flávio Bolsonaro ao resultado eleitoral, feitas sem apresentação de provas de fraude.

A relação com o Centrão é crucial para os planos do PL no Congresso. Mesmo com as maiores bancadas, o partido não possui votos suficientes para aprovar pautas como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), uma de suas principais bandeiras. Por isso, a legenda precisa negociar com outras siglas para construir maiorias.

Disputa na Câmara: PL em busca de definição

Na Câmara dos Deputados, a derrota de Flávio Bolsonaro levou o PL a rever sua estratégia para a presidência da Casa. O líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que manifestava interesse em disputar o cargo contra o atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), perdeu o interesse em encabeçar a candidatura. O partido avalia lançar um nome próprio ou apoiar a reeleição de Motta, opção que enfrenta resistência interna.

Integrantes do PL, como Nikolas Ferreira (PL-MG), consideram contraditório apoiar Motta após sua aproximação com Lula e a inclusão de propostas do governo na pauta. Há também insatisfação com acordos não cumpridos. Apesar da resistência, o PL reconhece a força de Motta, que já reúne apoio de 361 deputados, bem acima dos 257 necessários. O partido busca preservar espaço nas comissões, reivindicando o comando de 7 colegiados, incluindo a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania) e a CMO (Comissão Mista de Orçamento).

O PT, por sua vez, tenta impedir a entrada do PL no bloco de apoio a Motta, argumentando que a presença da sigla poderia alterar negociações por espaços estratégicos, especialmente a presidência da CCJ. O partido de Lula já tem acordo para a 1ª Secretaria e uma vice-presidência. A decisão sobre a composição do bloco, que impacta a distribuição das presidências das comissões, será tomada após reunião da bancada do PL em 11 de novembro.

Articulações no Senado: Rogério Marinho como aposta do PL

No Senado, o PL oficializou a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) contra o atual presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Integrantes do partido demonstram otimismo, afirmando que Marinho reúne apoio de senadores do PSD, Podemos, PP, Republicanos e União Brasil, além do próprio PL e do Novo. No entanto, a candidatura ainda depende de novas negociações.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) surge como alternativa para parte da direita que resiste a Marinho. Há avaliações de que votos atribuídos a Marinho podem migrar para a congressista. As declarações de Flávio Bolsonaro sobre o resultado eleitoral também impactaram a candidatura de Marinho, que coordenou sua campanha presidencial. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, desaprovou o documento de questionamento de Flávio.

Marinho e Tereza Cristina se reuniram para discutir a concentração de apoio da oposição em um único nome, mas as conversas terminaram sem acordo. O PL ainda não tem apoio suficiente para assegurar o comando de nenhuma das Casas, precisando ampliar suas alianças em um Congresso onde a vitória de Lula e a reação às declarações de Flávio alteraram as negociações políticas.

O Centrão e o isolamento do PL

Políticos do Centrão avaliam que o PL contribuiu para seu próprio isolamento ao anunciar, após a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, que não apoiaria as reeleições de Motta e Alcolumbre. A tentativa do partido de reivindicar o comando das duas Casas foi criticada como uma estratégia inadequada. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o isolamento do PL ocorrerá nas votações, dependendo das propostas que apresentar, especialmente as consideradas reacionárias.

A resistência do PL à candidatura de Motta também vem de dentro do partido, devido à aproximação do presidente da Câmara com Lula e ao fato de Motta ter aprovado propostas do governo. Congressistas do PL alegam que Motta não cumpriu acordos firmados com a sigla nos últimos quatro anos. A maioria dos deputados eleitos pelo PL defende o lançamento de uma candidatura própria à presidência da Câmara.

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