Philippe Starck projeta resort de luxo de € 100 milhões em Portugal

Destaques
- •Designer Philippe Starck assina conceito e design de resort ASerra, com investimento de € 100 milhões.
- •Projeto em Grândola, Portugal, busca integração com a paisagem e preservação de valores locais.
- •Empreendimento com hotel, villas e espaços de criação tem abertura prevista para 2028.
O renomado designer francês Philippe Starck, aos 77 anos, anunciou um novo projeto de hospitalidade e residências de luxo em Portugal, batizado de ASerra. Previsto para abrir no segundo trimestre de 2028, o empreendimento está localizado em uma propriedade de 85 hectares na Serra de Grândola, perto de Melides, e conta com um investimento total estimado em € 100 milhões. O projeto é desenvolvido pela Larfa Properties, de Stéphane Delplancq, com conceito e design assinados por Starck.
Starck, conhecido por seus trabalhos em hotéis, restaurantes e objetos de design icônicos, revelou que encontrou em Portugal uma conexão profunda, sentindo pela primeira vez "raízes saindo dos sapatos e entrando no solo". Essa relação começou há cerca de 13 anos, após sugestão do amigo Christian Louboutin, e o levou a buscar um local especial na região. O designer destaca que a escolha de Portugal e, especificamente, da área de Melides, foi motivada não apenas pela paisagem, mas principalmente pela "gentileza, respeito, amor e honestidade" dos portugueses.
Integração com a paisagem e valores locais
A premissa arquitetônica do ASerra é a mínima interferência na paisagem natural. "Primeiro, respeitar. Respeitar a natureza. Fazer algo praticamente invisível", declarou Starck. O projeto arquitetônico é conduzido pelo escritório lisboeta Atelier AAVV, de Miguel Passos de Almeida, e o paisagismo pela FC Arquitectura Paisagista, de Filipa Cardoso de Menezes. O uso de concreto em tons que se misturam à terra, grandes superfícies de vidro e materiais como terracota e madeiras avermelhadas buscam a diluição das construções no ambiente.
Starck relata que levou anos para se adaptar à geografia local, que não oferece vista direta para o mar devido à presença de dunas protegidas. Ele transformou essa característica em um diferencial, valorizando o "silêncio do campo, com o mar, e a 10 minutos dele". A discrição do projeto contrasta com construções mais convencionais, buscando uma harmonia com a natureza e a "boa energia do sul".
ASerra: um hotel que funciona como aldeia
O ASerra foi concebido para ir além de um hotel tradicional. A propriedade reunirá um hotel com 25 suítes independentes, 22 villas privadas com serviços hoteleiros, restaurantes, spa e espaços dedicados à criação. Na parte baixa do terreno, uma "aldeia contemporânea" abrigará áreas de convivência e atividades, como restaurante com produtos da horta, café, loja, estúdio de arte, piscina, spa, espaços para yoga, oficinas de artes plásticas e gastronomia, jardim infantil e quadras esportivas.
As 25 suítes do hotel terão 70 m² internos e terraços de 90 m², com 12 delas possuindo piscina privativa. As villas seguirão a mesma linguagem estética e seus moradores terão acesso a todos os serviços do hotel. O empresário Stéphane Delplancq informou que os preços das villas devem partir de € 6 milhões, com comercialização prevista para antes da abertura. Os proprietários poderão optar por uso exclusivo ou integrar a propriedade ao pool hoteleiro, com a administração obrigatória a cargo do ASerra para manter o padrão de serviço.
Para Starck, o conceito de luxo no ASerra se traduz em "qualidade atemporal", feita com respeito ao material e às pessoas, em oposição à demonstração de riqueza. O projeto busca preservar os valores locais e a essência do terreno, marcado por sobreiros, que inspirou o designer a finalmente criar raízes.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na revista Antropologia Portuguesa em 2026, intitulado "Os impactos do turismo em espaço rural", analisou o impacto de modalidades de hospedagem em zonas rurais, como o ASerra. A pesquisa, que examinou localidades como Estorãos (Ponte de Lima), Sortelha (Sabugal) e Monsaraz (Reguengos de Monsaraz), concluiu que este tipo de turismo não se repercute de modo significativo no tecido socioeconômico das áreas em que é implantado, contrariando argumentos de profissionais do setor. A pesquisa indica que a principal mais-valia do Turismo em Espaço Rural (TER) reside na esfera simbólica, contribuindo para a manutenção do campo como suporte de identidade nacional.
Pesquisa citada
- Os impactos do turismo em espaço rural
Antropologia Portuguesa · 2026



