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Cientista piauiense Joanna Lima é Personalidade do Ano pela Britcham

29 de outubro de 2026
Cientista piauiense Joanna Lima é Personalidade do Ano pela Britcham

Destaques

  • •Joanna Lima, pesquisadora brasileira com passagem por Oxford e laboratório de Nobel, é eleita Personalidade do Ano pela Britcham.
  • •A cientista é reconhecida por sua trajetória acadêmica e por seu trabalho social de orientação a estudantes e jovens em vulnerabilidade.
  • •A cerimônia de premiação ocorrerá em 26 de novembro no Rio de Janeiro, com foco na importância da liderança feminina na ciência.

A pesquisadora piauiense Joanna Lima foi eleita Personalidade do Ano de 2026 pela Britcham (Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil), principal fórum da comunidade empresarial e governamental Brasil-Reino Unido. A cientista foi reconhecida por sua notável trajetória acadêmica, que a levou da Universidade Federal do Piauí (UFPI) até a Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde integrou o laboratório de Peter Ratcliffe, vencedor do Nobel de Medicina de 2019.

Filha de mãe solo e a primeira de sua família a ingressar no ensino superior, Joanna Lima compartilhou em entrevista à Forbes Brasil as dificuldades enfrentadas, mencionando familiares que se encontram em situação de analfabetismo. Sua formação incluiu mestrado e doutorado na USP (Universidade de São Paulo), com períodos de estudo nos Estados Unidos por meio de bolsas, antes de se estabelecer em Oxford em 2018.

Trajetória em Oxford e pesquisa em câncer

Na Universidade de Oxford, entre 2021 e 2026, Joanna Lima foi a única pesquisadora brasileira no laboratório de Peter Ratcliffe. Seu trabalho concentrou-se na pesquisa da oncogênese relacionada à perda do supressor tumoral VHL. Ela relatou ter sido contratada pela universidade após um ano de estudos com bolsa, residindo na Inglaterra por oito anos e atingindo o ápice de sua produção científica na instituição britânica.

O estudo de Joanna em Oxford focou na compreensão dos mecanismos que levam à especificidade celular no desenvolvimento de cânceres associados à disfunção do gene VHL. A pesquisa, publicada na Nature Communications em 2024, investigou as atividades específicas das isoformas HIFα na oncogênese. O resumo do estudo indica que a ativação de HIF1A e HIF2A, embora geralmente associada a eventos truncales no carcinoma de células renais, apresenta consequências distintas e contribui para a especificidade renal da VHL. A pesquisa sugere que o envolvimento precoce de HIF2A na proliferação de epitélio tubular proximal pode ser um alvo terapêutico promissor no início da doença de VHL.

Impacto social e retorno ao Brasil

Após sua experiência internacional, Joanna Lima retornou ao Brasil em março deste ano para estabelecer seu próprio grupo de pesquisa com financiamento público. Atualmente, ela atua como pesquisadora e orientadora na Faculdade de Medicina da USP, dedicando-se a estudos sobre câncer renal. Além de sua atuação laboratorial, a cientista fundou o projeto “Aplique no Alvo”, que já auxiliou mais de 50 brasileiros no processo de admissão em universidades de renome mundial, como Oxford e Cambridge.

O projeto visa não apenas a excelência acadêmica, mas também o retorno de talentos ao Brasil, combatendo a fuga de cérebros. Joanna Lima também se dedica ao Projeto Esperança, que oferece ensino de ciências, técnicas de estudo e inglês para jovens em situação de vulnerabilidade. Ela expressou o desejo de quebrar a distância entre cientistas e a sociedade, sentindo-se culpada por essa separação em muitos momentos de sua carreira.

Liderança feminina e próximos passos

A cerimônia de entrega do prêmio da Britcham está agendada para 26 de novembro, no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Ao comentar o reconhecimento, Joanna Lima destacou a importância de abrir mais caminhos para as mulheres na ciência. Ela observou que, embora as mulheres estejam mais presentes na academia atualmente, elas ainda são minoria em cargos de alta liderança.

A pesquisadora espera que sua conquista sirva de inspiração para outras meninas e mulheres, encorajando-as a se sentirem pertencentes ao mundo educacional e acadêmico e a perceberem que podem alcançar posições de destaque. Sua atuação busca ativamente mudar esse cenário, promovendo maior inclusão e representatividade feminina no meio científico.

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