PGR pede urgência ao STF para homologar delação de ex-executivo da Reag

Destaques
- •Procuradoria-Geral da República solicita ao ministro Edson Fachin análise prioritária da colaboração premiada de João Carlos Mansur.
- •Acordo visa recuperar cerca de R$ 20 bilhões de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, e explicar lavagem de dinheiro.
- •PGR teme perecimento de ativos, o que significaria perda ou desvalorização dos recursos que poderiam reparar prejuízos.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu urgência ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar a homologação da delação premiada de João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos. A gestora é investigada por fraudes no Banco Master.
O documento foi enviado ao STF na segunda-feira (25), e a PGR argumenta que a demora na homologação pode levar ao perecimento de ativos, ou seja, a perda ou desvalorização de recursos financeiros que poderiam ser usados para reparar os prejuízos causados pelos crimes investigados. O acordo de colaboração, assinado com a PGR no fim de agosto e enviado ao STF em setembro, prevê que Mansur ajudará os investigadores a localizar cerca de R$ 20 bilhões atribuídos a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e preso desde março.
O que o delator promete
Além de auxiliar na recuperação de valores, João Carlos Mansur se comprometeu a explicar como os fundos de investimento geridos pela Reag foram utilizados para a lavagem de dinheiro. As investigações apontam que esses fundos teriam servido para ocultar recursos e beneficiar integrantes do esquema envolvendo o Banco Master.
A delação premiada, para ter validade, precisa ser homologada pela Justiça. Nesta etapa, o magistrado analisa aspectos formais do acordo, como a voluntariedade do delator e a legalidade dos benefícios oferecidos. A homologação, no entanto, não significa que as acusações apresentadas pelo colaborador tenham sido comprovadas, pois a confirmação das informações depende de outras diligências e provas.
Investigações e o papel do STF
As investigações sobre o Banco Master estavam sob relatoria do ministro André Mendonça, mas foram transferidas para análise de Edson Fachin em setembro, devido a divergências e suspeitas sobre integrantes do próprio tribunal. João Carlos Mansur já foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal em janeiro, na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes no Banco Master.
Com o pedido de urgência, a PGR busca acelerar a análise para permitir o avanço das investigações patrimoniais. Até o momento, não há confirmação de que os R$ 20 bilhões mencionados na delação tenham sido efetivamente localizados ou recuperados.



