Paraguai: Reguladores intervêm no Ueno Bank e presidente do Banco Central renuncia

Destaques
- •Reguladores paraguaios intervieram no Ueno Bank por subcapitalização, levando à renúncia do presidente do Banco Central.
- •A intervenção visa proteger depósitos e o sistema financeiro, com garantias para depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa.
- •O caso pode ter repercussões políticas para o presidente Santiago Peña e impactar a reputação do Paraguai como destino de investimento.
Reguladores paraguaios intervieram no Ueno Bank nesta terça-feira (data não especificada nos textos) sob a alegação de que a instituição estava subcapitalizada. A ação levou o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, a anunciar sua renúncia, criando um problema político para o presidente Santiago Peña.
O Banco Central afirmou que a intervenção foi necessária para proteger os depósitos dos clientes e limitar o impacto no sistema financeiro. Segundo os reguladores, o índice de solvência do Ueno Bank havia caído para menos de 50% do mínimo exigido após ajustes em seus balanços.
Renúncia e Críticas ao Banco Central
Em entrevista coletiva em Assunção, Carlos Carvallo declarou que sua renúncia já estava assinada. Ele afirmou que a decisão visa proporcionar tranquilidade ao Banco Central para que possa realizar seu trabalho. Carvallo comandou anteriormente uma versão anterior do Ueno Bank, o que alimentou críticas de que o governo Peña era próximo demais da instituição e demorou a aumentar a fiscalização sobre a empresa em rápida expansão.
A renúncia de Carvallo ocorre em um momento delicado para o governo, que tem promovido o Paraguai como um destino de baixa tributação para estrangeiros. A intervenção no Ueno Bank representa uma reviravolta e traz risco de danos à reputação de Peña.
Impacto no Sistema Financeiro e Depósitos
Apesar da intervenção, reguladores paraguaios asseguraram que a situação do Ueno Bank não reflete uma crise mais ampla no sistema financeiro do país. Depósitos de até 228 milhões de guaranis (aproximadamente US$ 39 mil) por pessoa serão garantidos pela autoridade monetária.
Investidores e bancos locais pareceram concordar, afirmando não esperar efeitos em cadeia sobre o sistema bancário. Alvaro Acosta, presidente da Investor Casa de Bolsa, destacou que o sistema financeiro já vinha alertando para a gestão controversa do Ueno Bank e que os bancos estavam preparados, com exposição limitada à instituição.
O Ueno Bank era a maior emissora de cartões de crédito do país, com quase 1,1 milhão de cartões emitidos até setembro, e possuía 2,6 milhões de clientes no fim do ano passado, o equivalente a um em cada três paraguaios. Os depósitos do governo no banco dispararam desde que Peña assumiu o cargo, atingindo cerca de 5 trilhões de guaranis (US$ 869 milhões) no fim de junho.
Consequências Políticas e Próximos Passos
A principal consequência dos problemas do Ueno Bank pode surgir no cenário político. A senadora de oposição Yolanda Paredes pediu a abertura de um processo de impeachment contra Peña, embora o partido do presidente detenha maioria no Congresso.
O Ueno Bank vinha enfrentando investigações separadas dos reguladores monetários. Na semana passada, executivos apresentaram um plano de capitalização de US$ 100 milhões para reforçar a confiança, com metade dos recursos vindo da holding U Holdings e a outra metade de ações vendidas a investidores privados.
A emissão de dívida do Ueno em março foi a maior oferta de títulos corporativos da história do Paraguai, mas os papéis caíram acentuadamente em meio a notícias sobre o balanço da instituição. A Fitch Ratings já havia revisado a perspectiva dos títulos do banco para negativa em outubro.



