Netanyahu enfrenta resistência militar a ofensiva contra o Irã

Destaques
- •Chefe do Estado-Maior israelense se opõe a ofensiva militar conjunta com EUA contra o Irã.
- •Divergências incluem objetivos da operação, riscos militares e consequências políticas.
- •Questão deve ser reavaliada após eleições de meio de mandato nos EUA.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enfrenta resistência interna nas Forças de Defesa de Israel (IDF) à proposta de uma nova ofensiva militar conjunta com os Estados Unidos contra o Irã. As divergências, noticiadas pelo jornal Haaretz, giram em torno dos objetivos da operação, seus riscos militares e as potenciais consequências políticas de uma escalada regional, em um momento delicado de negociações para a formação de um novo governo israelense.
Resistência militar e política
O chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, já havia se oposto à intenção de Netanyahu de atacar o Irã antes das eleições legislativas de 27 de outubro. O comandante militar temia que o ataque interferisse no processo eleitoral e agravasse a instabilidade política do país. A votação não definiu uma maioria parlamentar clara, abrindo espaço para articulações de oposição, e uma nova guerra poderia beneficiar politicamente Netanyahu ao dificultar a formação de uma coalizão alternativa.
O líder da oposição e ex-chefe do Estado-Maior, Gadi Eisenkot, declarou que apoiaria operações militares apenas em caso de perigo claro e iminente para Israel que não pudesse esperar pela posse de um novo governo. Essa declaração é vista como um recado direto a Netanyahu e um apoio a Zamir diante das pressões políticas.
Divergências de objetivos e riscos
A diferença de objetivos entre Washington e Tel Aviv no confronto com Teerã é uma das principais preocupações do Estado-Maior israelense. Enquanto Netanyahu defende a derrubada do governo iraniano, o presidente norte-americano Donald Trump busca pressionar o Irã a aceitar um acordo que restrinja seu programa nuclear e permita a reabertura do Estreito de Ormuz.
Outro ponto de divergência é a duração da operação. Trump considera uma campanha militar de poucos dias, enquanto o Irã ameaça atingir países regionais que apoiarem os EUA. O Exército israelense também avalia os riscos de danos significativos à população e infraestrutura em caso de retaliação iraniana, incluindo a possibilidade de atacar instalações civis estratégicas, o que levantaria questionamentos ao direito internacional.
Questionamentos à legitimidade eleitoral
Netanyahu e seu partido, o Likud, têm questionado a legitimidade das eleições de 27 de outubro, buscando impedir a participação de partidos árabes na formação de um governo de oposição. Aliados do primeiro-ministro divulgaram acusações de irregularidades em comunidades árabes, mas a Comissão Eleitoral Central e o chefe do serviço de segurança interna Shin Bet afirmaram que as irregularidades investigadas não tiveram impacto significativo no resultado.
A reportagem compara a estratégia política de Netanyahu à tentativa de Trump de impedir a transferência de poder nos EUA após sua derrota eleitoral de 2020, que culminou na invasão do Capitólio.
Matérias originais
- Forças israelenses hesitam sobre ataque conjunto com EUA contra Irã, diz jornal · operamundi.uol.com.br



