Morgan Stanley vê Bradesco (BBDC4) com potencial de alta de 85%

Destaques
- •Morgan Stanley reitera recomendação de compra para o Bradesco, vendo oportunidade após queda de 37% nas ações.
- •Banco de investimento argumenta que o preço atual das ações não reflete os fundamentos da companhia, negociando a múltiplos historicamente baixos.
- •Apesar do cenário macroeconômico desafiador, o Morgan Stanley acredita que o preço das ações já precifica grande parte das preocupações.
O Banco Bradesco (BBDC4) pode ter sido excessivamente penalizado pelo mercado após a eleição presidencial, segundo análise do Morgan Stanley. Em relatório divulgado nesta semana, o banco reiterou sua recomendação de compra (overweight) para os recibos de ações negociados nos Estados Unidos (ADRs) do Bradesco, argumentando que a queda de 37% desde o segundo turno criou uma oportunidade de investimento rara, mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador para os bancos brasileiros.
O preço-alvo para o ADR BBD foi reduzido de US$ 5,50 para US$ 4,75, o que ainda representa uma potencial alta de 85% em relação ao último fechamento. Essa visão contrasta com a de outras instituições financeiras, como Citi, JPMorgan e Itaú BBA, que recentemente rebaixaram suas recomendações para o Bradesco, citando preocupações com o cenário fiscal, juros elevados e perspectivas mais difíceis para o setor financeiro doméstico.
Correção descolada dos fundamentos
Para o Morgan Stanley, a intensidade da correção nas ações do Bradesco parece descolada dos fundamentos da companhia. O banco destaca que o Bradesco negocia a apenas 0,7 vez seu valor patrimonial, próximo ao menor nível da última década. Isso ocorre mesmo com o banco apresentando um retorno sobre patrimônio (ROE) de 16,6%, um nível de rentabilidade que historicamente justificaria múltiplos significativamente mais elevados.
Como comparação, o Bradesco negocia com um desconto de 62% em relação ao Itaú Unibanco (ITUB4) em termos de preço sobre valor patrimonial, a maior diferença em dez anos. O Morgan Stanley avalia que essa disparidade não encontra respaldo proporcional na diferença de rentabilidade entre as duas instituições.
Histórico de preços e cenário adverso
O banco de investimento relembra o período de 2015 e 2016, marcado pela recessão brasileira e a crise política que levou ao impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Mesmo naquele ambiente de retração econômica e juros elevados, o Bradesco chegou a negociar próximo de uma vez seu valor patrimonial, um patamar superior aos atuais 0,7 vez.
Os analistas do Morgan Stanley afirmam que o mercado parece precificar um cenário excessivamente pessimista para o banco. A intensidade da queda, segundo eles, não se justifica totalmente pelos fundamentos atuais.
Transformação operacional e carteira conservadora
Outro ponto destacado pelo Morgan Stanley é a transformação operacional em curso no Bradesco. A digitalização, o fechamento de agências e os programas de eficiência devem continuar gerando redução de custos nos próximos anos. Além disso, o banco tem tornado sua carteira de crédito mais conservadora, aumentando a participação de linhas garantidas, como crédito consignado, financiamento imobiliário e crédito para veículos.
Essas iniciativas, na visão da casa, ajudam a proteger os resultados mesmo em um cenário de desaceleração econômica. O Morgan Stanley reconhece os riscos associados ao quadro macroeconômico, como atividade mais fraca, piora da inadimplência e incertezas fiscais, mas considera que o preço atual das ações já embute grande parte dessas preocupações, oferecendo uma relação risco-retorno atrativa para investidores dispostos a atravessar a volatilidade de curto prazo.



