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Mercado financeiro reage com cautela à reeleição de Lula; dólar e juros sobem

27 de outubro de 2026
Mercado financeiro reage com cautela à reeleição de Lula; dólar e juros sobem

Destaques

  • •Reeleição de Lula gera turbulência nos mercados: Ibovespa cai 10% e dólar dispara.
  • •Instituições financeiras apontam risco fiscal e endividamento como principais preocupações.
  • •Tesouro Nacional intervém no mercado com cancelamento de leilões e recompra de títulos para estabilizar juros.

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para mais um mandato presidencial gerou forte turbulência nos mercados financeiros na segunda-feira (26). O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, chegou a cair mais de 10% nos primeiros minutos de negociação, acionando o mecanismo de circuit breaker. Simultaneamente, o dólar disparou, registrando alta de 8,21% e fechando o dia a R$ 5,4027. Na terça-feira (27), a moeda americana operava em queda de 1,29%, a R$ 5,333, em movimento de correção.

O Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado após o resultado eleitoral, aponta que as principais preocupações das instituições financeiras são com o chamado "risco fiscal", referente à trajetória de rombos nas contas públicas, e com a alta da inadimplência, que atingiu recorde em um cenário de juros elevados. Termos como "inadimplência", "juros" e "inflação" figuram entre os mais citados pelos bancos como riscos à estabilidade, acompanhados por referências à volatilidade e à situação fiscal.

Incertezas fiscais e endividamento em foco

Analistas avaliam que os déficits fiscais reiterados pressionam a taxa de juros e o endividamento público. Para conter a dívida e baixar os juros, cobram um ajuste fiscal mais forte por parte do governo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo tem medidas fiscais prontas e que pretende mudar a legislação ou a Constituição para buscar o centro da meta fiscal, esclarecendo regras para contingenciamento de despesas.

Apesar do cenário desafiador, o Banco Central considerou que não há "risco relevante" para a estabilidade financeira, citando que o sistema financeiro nacional permanece com capitalização e liquidez confortáveis. Contudo, instituições como Citigroup e BCA Research rebaixaram a recomendação para ativos brasileiros, argumentando que o perfil de risco-retorno se deteriorou com a reavaliação das perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais.

Intervenção do Tesouro Nacional para estabilizar o mercado

Em resposta à volatilidade, o Tesouro Nacional interveio no mercado. Na segunda-feira (26), cancelou leilões de títulos prefixados e indexados à inflação e realizou operações de recompra de títulos públicos no valor de cerca de R$ 10 bilhões. Na terça-feira (27), o Tesouro cancelou o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) e anunciou nova recompra de títulos, totalizando cerca de R$ 14,7 bilhões em intervenções para estabilizar os mercados.

Os juros futuros, que haviam disparado mais de 200 pontos-base na segunda, recuaram na terça. A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, por exemplo, caiu de 13,696% para 13,685%. O Tesouro Direto, que teve sua abertura atrasada e operações paralisadas na segunda devido à volatilidade, apresentou recuperação parcial na terça, com taxas prefixadas em leve recuo e títulos atrelados à inflação com avanço nos retornos.

O que esperar dos investimentos

Especialistas divergem sobre se os preços atuais já apresentam oportunidade de compra ou se é mais prudente aguardar sinais do novo governo sobre a política fiscal. Ian Cao, CIO da Gama Investimentos, aconselha cautela e desaconselha reações impulsivas, enfatizando a importância da diversificação internacional como política estrutural, não como reação a pânico. Ele sugere que uma carteira diversificada, com pelo menos 20% no exterior, é objetivamente melhor.

Investidores que aplicaram no Tesouro Direto em 5 de outubro e venderam os títulos no fechamento de segunda-feira (26) registraram perdas de até 16,2%, como no caso do Tesouro IPCA+ 2050. Em contrapartida, um CDB a 100% do CDI teria rendido 0,4% no mesmo período. O mercado aguarda os próximos passos do governo Lula em relação à condução da política fiscal e à formação da equipe econômica.

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