Lula usa Hino da Independência em comemoração e resgata história do Império

Destaques
- •Lula pediu a reprodução do Hino da Independência em comemoração à sua reeleição, exaltando a soberania brasileira.
- •A canção, com letra de Evaristo da Veiga e melodia original de Marcos Portugal, teve sua letra adaptada por Dom Pedro I, tornando-se um hino de exaltação da nacionalidade.
- •A escolha simbólica do hino remete à história do Brasil Império e à figura de Dom Pedro I como compositor.
Em um gesto simbólico durante a comemoração de sua reeleição à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu a reprodução do Hino da Independência. A escolha ocorreu em um momento de exaltação à soberania nacional, com o presidente pedindo que a canção, que celebra a força do povo brasileiro e a liberdade, fosse tocada na Avenida Paulista.
O Hino da Independência possui uma rica história ligada à figura de Dom Pedro I, o primeiro chefe de Estado do Brasil. Originalmente intitulado Hino Constitucional Brasiliense, sua letra foi escrita por Evaristo da Veiga em agosto de 1822, semanas antes da Proclamação da Independência. A melodia inicial foi composta pelo músico luso-brasileiro Marcos Portugal.
A adaptação de Dom Pedro I
Em 1824, Dom Pedro I, que possuía conhecimentos musicais, compôs uma nova melodia para a letra de Evaristo da Veiga. Essa nova versão, que ganhou força durante seu reinado, foi rebatizada como Hino Imperial e Constitucional em 1824. Segundo historiadores, o imperador fez da música um hino de "exaltação da nacionalidade", com inspiração romântica e europeia.
O biógrafo Paulo Rezzutti destaca que Dom Pedro I era um músico profícuo, autor de diversas composições, incluindo o Hino da Carta, que foi hino oficial de Portugal. O imperador também compôs valsas, gênero musical que chegava ao Brasil na época de seu casamento com Leopoldina.
Origens e mitos do hino
Embora exista uma versão romantizada que atribui a composição do hino ao mesmo dia da Proclamação da Independência, em 7 de setembro de 1822, essa narrativa não possui comprovação documental. A história sugere que a música teria sido partiturada às pressas por André da Silva Gomes, organista da antiga Catedral de São Paulo, para ser executada na mesma noite. No entanto, documentos da época não referendam essa versão, que se consolidou nas comemorações do centenário da Independência em 1922.
O que resta historicamente é a associação da canção aos tempos do Império, quando era considerada o hino oficial do país. Evaristo da Veiga, autor da letra, é reconhecido como um dos precursores do romantismo no Brasil. Marcos Portugal, compositor da melodia original, teve carreira em Portugal e na Itália, sendo convocado para atuar junto à nobreza no Rio de Janeiro após a transferência da corte em 1808.
A versão original do hino, de Veiga e Portugal, teria alcançado alta repercussão na sociedade carioca logo após sua publicação. A escolha de Lula em usar a canção em um momento de celebração política resgata essa parte da história brasileira, associando-a à ideia de soberania e liberdade.



