Lula rejeita pressão do mercado por ajuste fiscal e defende gastos com obras

Destaques
- •Presidente Lula afirmou que o governo não sacrificará programas sociais para atender demandas do mercado por ajuste fiscal.
- •Lula defendeu o endividamento público para financiar obras e ampliar o patrimônio nacional, citando exemplos de países desenvolvidos.
- •O governo buscará criar sua própria narrativa para divulgar os feitos econômicos e rechaçou críticas sobre irresponsabilidade fiscal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rechaçou nesta sexta-feira (06/11) a pressão do mercado por um ajuste fiscal mais rigoroso e as críticas sobre a responsabilidade fiscal do governo. Em reunião do Conselho Nacional de Política Energética, no Ministério de Minas e Energia, Lula afirmou que ninguém pode acusar sua gestão de irresponsabilidade com as contas públicas, lembrando que assumiu o governo com um déficit orçamentário de 2,8% e que agora encaminha superávits.
O presidente reiterou seu compromisso em equilibrar políticas sociais com responsabilidade fiscal, garantindo que a população mais pobre não arcará com os custos de eventuais cortes em programas sociais para satisfazer as demandas do mercado. "A única coisa que ele [mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. A única coisa que ele [mercado] tem que saber é que nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício", declarou.
Endividamento para investimento e patrimônio nacional
Lula defendeu que o endividamento público pode ser uma ferramenta útil para financiar obras de infraestrutura e ampliar o patrimônio nacional, desde que haja capacidade de pagamento. Ele argumentou que é possível fazer dívidas para construir ativos como ferrovias, estradas, pontes e aeroportos, contanto que haja planejamento para honrar os compromissos.
O presidente destacou que o endividamento público brasileiro em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é inferior ao de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália. Ele também relembrou feitos de seu governo anterior, como a quitação de uma dívida externa de US$ 30 bilhões, o acúmulo de US$ 270 bilhões em reservas internacionais e um empréstimo de US$ 1 bilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Narrativa econômica e divulgação de resultados
O presidente reconheceu as dificuldades em comunicar os resultados econômicos positivos do governo e cobrou da equipe a responsabilidade de ajudar a divulgar esses feitos. "Nós temos que criar a nossa narrativa. E nós temos que aprender a divulgar as coisas que nós fazemos", afirmou Lula, indicando a necessidade de uma comunicação mais eficaz sobre a situação econômica do país.
Ele reiterou a meta de colocar o Brasil no estágio de país desenvolvido nos próximos quatro anos, reforçando a ideia de que o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e investimento em políticas sociais é o caminho para alcançar esse objetivo sem comprometer os mais vulneráveis.



