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Lula não abandonará programas sociais, diz Kassab; mercado reage a plano de juros

03 de novembro de 2026
Lula não abandonará programas sociais, diz Kassab; mercado reage a plano de juros

Destaques

  • •Gilberto Kassab afirma que o presidente Lula manterá e criará programas sociais, exigindo que o futuro Ministro da Fazenda equilibre a política fiscal.
  • •Proposta heterodoxa de André Lara Resende para reduzir a Selic para 7,5% em um ano gerou debate e preocupação no mercado financeiro.
  • •O governo nega que esteja discutindo o plano de Lara Resende ou o tabelamento de juros, enquanto o Copom se reúne para definir a taxa básica.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou à CNN Brasil que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "jamais" abandonará os programas sociais e que o futuro ministro da Fazenda deverá conciliar essa promessa com a necessidade de equilíbrio fiscal, sem aumentar a carga tributária.

A declaração surge em meio à apreensão do mercado financeiro com a indefinição sobre o comando da Fazenda e as diretrizes da nova equipe econômica em relação à política fiscal. A demora na divulgação de nomes e planos tem deixado os agentes financeiros sem referências claras sobre os rumos da economia.

Plano heterodoxo para reduzir juros

Um plano heterodoxo para reduzir a taxa Selic de 13,75% para 7,5% ao ano em até 12 meses, proposto pelo economista André Lara Resende, ganhou destaque no noticiário econômico. A proposta, baseada em um artigo publicado em setembro, sugere um "tabelamento" dos juros básicos e o uso de reservas internacionais para conter fuga de capitais.

A ideia voltou à tona após a divulgação de que o economista poderia se reunir com o presidente Lula, o que gerou reações diversas entre economistas, empresários e investidores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a existência de tal encontro ou de qualquer proposta de tabelamento de juros sendo discutida pelo governo.

Repercussão e divergências internas

A possibilidade de o governo considerar a proposta de Lara Resende gerou polêmica. Enquanto alguns membros do PT, como Gleisi Hoffmann e José Sérgio Gabrielli, elogiaram o artigo, outros, como Edinho Silva, ressaltaram que apenas o ministro Dario Durigan está autorizado a falar sobre política econômica.

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, também afirmou que não há proposta de tabelamento em discussão. O próprio presidente Lula ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O que propõe André Lara Resende?

O plano de Lara Resende prevê a criação de um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional para fixar um intervalo para a taxa Selic por quatro a cinco anos. A Selic seria reduzida para perto de 7,5% em 12 meses e, após um período de transição, ficaria entre 3% e 5,5% ao ano.

O economista argumenta que a dívida cresce mais que o PIB nominal porque os juros pagos superam o avanço da economia. Para ele, reduzir os juros é a raiz para controlar a dívida, e não a entrega de superávit primário. Segundo seus cálculos, com juros a 7,5%, a economia seria equivalente a cerca de 4% do PIB ao ano.

Riscos e o que mudaria

Críticos apontam riscos como a fragilidade das contas públicas, que poderiam gerar o efeito oposto ao desejado com a queda da Selic, pressionando o dólar e a inflação. O uso repetido das reservas internacionais para conter a moeda americana também é visto como um risco, podendo esgotar o "colchão" de proteção.

A autonomia do Banco Central, garantida por lei desde 2021, impede que Lula baixe a Selic diretamente. A taxa é definida pelo Copom. Por enquanto, para investidores, nada muda. A proposta não faz parte de nenhum plano anunciado pelo governo.

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