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JPMorgan revisa recomendações de transportes após eleições e eleva custo de capital

03 de novembro de 2026
JPMorgan revisa recomendações de transportes após eleições e eleva custo de capital

Destaques

  • •JPMorgan ajusta projeções para empresas de transporte no Brasil após turbulência eleitoral.
  • •Ações do setor acumulam queda de 46% em uma semana, com custos de capital e preços-alvo revisados.
  • •Motiva e Rumo são as preferidas, enquanto Vamos tem recomendação rebaixada para neutra.

O banco de investimentos JPMorgan revisou suas recomendações para empresas brasileiras do setor de transportes, após a forte turbulência nos mercados financeiros provocada pelo resultado das eleições presidenciais. O ajuste inclui a elevação de 2 a 2,5 pontos percentuais no custo de capital próprio das companhias e uma redução média de 36% nos preços-alvo para dezembro de 2027. Nesse cenário, as ações da Motiva (MOTV3) e Rumo (RAIL3) foram mantidas como preferidas, enquanto a Vamos (VAMO3) teve sua recomendação rebaixada de compra para neutra.

Uma semana após o resultado eleitoral, as ações do setor sob cobertura do JPMorgan acumulavam uma queda de 46%, desempenho inferior em 28 pontos percentuais ao do Ibovespa. Esse movimento contrasta com uma valorização de 37% registrada entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Paralelamente, a taxa nominal dos títulos brasileiros de dez anos avançou 2,5 pontos percentuais na última semana, superando os 15%.

Ajustes e Perspectivas do JPMorgan

O banco decidiu ajustar o custo de capital próprio das empresas, mas manteve suas estimativas de resultados por enquanto. A instituição aguarda a atualização das projeções macroeconômicas e a divulgação dos balanços do terceiro trimestre de algumas companhias para refinar suas análises. O JPMorgan calcula que um aumento de 100 pontos-base na Selic média de 2027, atualmente estimada em 13,2% em seus modelos, poderia reduzir os lucros das empresas de locação de veículos em 5% a 10%. Para as companhias de infraestrutura, o impacto seria marginal.

Apesar de as ações estarem negociadas a múltiplos próximos dos menores níveis em cinco anos, o banco pondera que essas avaliações podem perder relevância diante da perspectiva de revisões negativas de resultados, da continuidade da saída de capital estrangeiro do Brasil e de novas quedas nos múltiplos. Algumas empresas podem permanecer descontadas por um período prolongado até que surjam catalisadores para uma recuperação.

Motiva e Rumo: Escolhas Estratégicas

O JPMorgan aponta Motiva e Rumo como as principais escolhas no setor de transportes brasileiro. A escolha se baseia no perfil relativamente mais defensivo dessas companhias e em sua menor exposição a revisões negativas de resultados. A Motiva é a preferida, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19,50, apoiada por seu modelo de negócios defensivo e pelo potencial de geração de valor com aditivos aos contratos de concessão de rodovias, que podem representar um ganho superior a 10% em valor presente líquido (VPL).

Entre os riscos para a Motiva estão a pressão inflacionária sobre investimentos e um desempenho mais fraco do tráfego. No entanto, a companhia oferece maior previsibilidade de resultados, já que 80% de sua receita conta com algum mecanismo de reajuste pela inflação. Para a Rumo, o banco mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20, destacando a estratégia de geração de caixa da administração, apoiada por uma estrutura de investimentos mais leve e pela melhora das tarifas de frete. O principal risco para a Rumo é o fenômeno climático El Niño durante a safra 2026/27.

Vamos e Outras Empresas: Rebaixamentos e Manutenções

O JPMorgan rebaixou a recomendação da Vamos de compra para neutra, devido à perspectiva de juros elevados por mais tempo. A alavancagem da Vamos (2,9 vezes no terceiro trimestre de 2026) a torna uma das mais expostas a um ambiente prolongado de juros altos. Uma elevação de 1 ponto percentual na Selic média de 2027 poderia provocar uma revisão negativa de 9% nas estimativas de lucro da companhia. Apesar da queda de 63% das ações na última semana, o banco vê poucos catalisadores para uma recuperação no curto prazo.

Para a Simpar (SIMH3), a recomendação é neutra, com preço-alvo de R$ 9,50, pois o desconto de holding já estaria alinhado ao valor justo. A JSL (JSLG3) mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 9,50, considerada uma tese interessante pelo posicionamento diferenciado e histórico de M&A. A Localiza (RENT3) e a Movida (MOVI3) mantêm recomendação neutra, com preços-alvo de R$ 50 e R$ 8,50, respectivamente, devido aos juros altos e pressão competitiva. A Ecorodovias mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 8,50, destacando a resiliência do modelo de negócios.

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