Investidores estrangeiros vendem R$ 2,4 bi em ações brasileiras após eleição de Lula

Destaques
- •Investidores estrangeiros reverteram parte significativa de suas compras de ações brasileiras após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
- •Apesar das vendas pós-eleição, o fluxo líquido de capital estrangeiro para o Brasil em outubro permaneceu positivo em US$ 1,8 bilhão.
- •O Instituto de Finanças Internacionais (IIF) prevê que os estrangeiros continuarão vendedores líquidos em novembro até que a nova equipe econômica de Lula seja definida.
Investidores estrangeiros reverteram pouco mais da metade de suas compras de ações brasileiras realizadas no início de outubro, com aceleração das vendas após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo dados do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), os não residentes compraram cerca de US$4,2 bilhões líquidos em ações brasileiras na primeira quinzena de outubro, período em que o candidato de direita Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno. Esse fluxo incluiu um pico de US$2 bilhões em 5 de outubro, o maior em um único dia desde 2009.
Vendas após o segundo turno
Nas duas semanas seguintes ao primeiro turno, os investidores venderam US$2,4 bilhões líquidos em ações brasileiras. O movimento se intensificou após a vitória de Lula no segundo turno, em 25 de outubro, com vendas de US$1,4 bilhão nos quatro pregões seguintes. O EWZ, maior fundo brasileiro listado nos EUA, sentiu o impacto, perdendo cerca de um quarto de suas entradas de capital do início de outubro na semana após a votação.
Redução de exposição antes do resultado
As vendas de capital estrangeiro já haviam começado antes mesmo do segundo turno, à medida que as pesquisas eleitorais indicavam um cenário mais acirrado. Isso sugere que os investidores já estavam reduzindo sua exposição ao mercado brasileiro antes mesmo da definição do resultado. Apesar das vendas pós-eleição, o fluxo líquido total de compras de ações por estrangeiros em outubro permaneceu positivo, totalizando cerca de US$1,8 bilhão até o dia 29.
Fundo global de emergentes com recorde
No final de outubro, a Copley Fund Research informou que os fundos globais de ações de mercados emergentes que acompanha registraram um investimento recorde de US$42,4 bilhões no Brasil em outubro. O IIF atribuiu as vendas pós-eleição, em parte, às posições abertas após o primeiro turno e à vitória de Lula, que foi considerada surpreendente por alguns. No entanto, o instituto ressaltou que os estrangeiros compraram ações após a vitória de Lula no segundo turno em 2022.
Perspectivas para novembro
Jonathan Fortun, economista sênior do IIF, espera que os não residentes continuem sendo vendedores líquidos de ações brasileiras em novembro. Essa tendência deve persistir até que a nova equipe econômica de Lula seja conhecida. Ele observou, contudo, que as vendas diárias diminuíram drasticamente no final de outubro, indicando uma possível moderação do fluxo de saída de capital.



