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Europa orienta cidadãos a se prepararem para 72h sem serviços essenciais

03 de novembro de 2026

Destaques

  • •Governos europeus recomendam que famílias e empresas se preparem para até 72 horas sem serviços essenciais como energia, água e internet.
  • •A iniciativa visa reduzir a vulnerabilidade da população e a necessidade de assistência imediata em emergências, como desastres naturais ou ataques cibernéticos.
  • •A preparação para emergências já impacta o consumo e a forma como empresas operam, com desafios financeiros e logísticos.

Governos europeus estão orientando famílias e empresas a se prepararem para enfrentar até 72 horas de interrupção de serviços essenciais, como energia elétrica, água, telefonia e internet. A recomendação faz parte de uma estratégia de prevenção adotada pela União Europeia e implementada de diferentes formas pelos países do bloco e por outros governos europeus. A proposta é que a população consiga atender às necessidades básicas durante os primeiros dias de uma emergência, enquanto autoridades e equipes de socorro trabalham para restabelecer os serviços.

As orientações consideram diferentes situações, desde tempestades, enchentes e apagões até ataques cibernéticos, sabotagens e conflitos geopolíticos. A estratégia ganhou espaço na União Europeia, com a Comissão Europeia apresentando em março de 2025 um plano para melhorar a capacidade de resposta a crises, incluindo a recomendação de autonomia por pelo menos 72 horas. Nos Países Baixos, o governo distribuiu orientações a cerca de 8,5 milhões de domicílios, e o Reino Unido lançou em outubro de 2026 uma campanha de três anos para incentivar medidas preventivas. A França também mantém um guia oficial com recomendações para que as famílias tenham autonomia durante três dias.

Como se preparar para 72 horas de emergência

A referência de três dias corresponde a um período inicial de autonomia para situações em que serviços essenciais deixem de funcionar. A estratégia apresentada pela Comissão Europeia considera diversos riscos, desde desastres naturais e eventos climáticos extremos até ataques cibernéticos e conflitos geopolíticos. A ideia é reduzir a necessidade de assistência imediata enquanto autoridades e equipes de emergência concentram esforços nas situações mais graves.

Nos Países Baixos, a campanha "Pense no futuro" concentra as recomendações em três medidas: montar um kit de emergência com suprimentos, elaborar um plano familiar para orientar ações e conversar com pessoas próximas sobre como agir. O Reino Unido adotou uma abordagem semelhante com a campanha "Be Ready", lançada em 22 de outubro de 2026, que incentiva a população a se preparar para problemas como falta de energia, água, telefonia e internet.

Entre as recomendações estão manter alimentos não perecíveis, medicamentos essenciais, lanternas e equipamentos de comunicação que funcionem sem eletricidade. O governo holandês também passou a recomendar que consumidores mantenham reservas de € 70 por adulto e € 30 por criança, valores de referência para cobrir necessidades básicas durante três dias sem pagamentos eletrônicos.

Impacto no consumo e nas empresas

Nos Países Baixos, o incentivo à formação de estoques domésticos começou a se refletir no comportamento de compra. Um levantamento da NielsenIQ identificou que 34% dos consumidores entrevistados haviam comprado algum produto para montar um kit de emergência. Entre aqueles que já tinham preparado um kit, 68% adquiriram água especificamente para essa finalidade. A empresa também observou crescimento nas vendas de rádios de emergência, baterias e alimentos em conserva.

Uma avaliação posterior do governo holandês apontou mudanças: a proporção de pessoas com kits de emergência passou de 30% para 44%, enquanto a parcela que declarava possuir um plano completo aumentou de 5% para 12%. No entanto, a ampliação desse consumo esbarra em limitações financeiras e práticas. No Reino Unido, uma pesquisa mostrou que, embora 37% dos entrevistados afirmassem ter água engarrafada suficiente para três dias, apenas 4% atingiam a quantidade recomendada de três litros por pessoa diariamente.

Obstáculos e preparação empresarial

Os principais obstáculos à preparação identificados no Reino Unido incluem a falta de dinheiro (29%), preocupação com produtos que poderiam vencer (25%) e falta de espaço para armazenamento (18%).

A preocupação dos governos europeus não se limita às famílias. Nos Países Baixos, o Ministério da Economia lançou em maio de 2026 uma campanha voltada às empresas, incentivando a elaboração de planos para manter atividades essenciais durante interrupções de energia, internet e abastecimento. Segundo dados divulgados pelo país, 51% das empresas pesquisadas não haviam adotado medidas preventivas, e apenas 15% se consideravam altamente preparadas para falhas de internet e serviços de nuvem.

O risco é operacional e financeiro. Uma falha de conexão pode impedir pagamentos, interromper pedidos e comprometer a comunicação com fornecedores. Para os comerciantes, a orientação é manter troco e alternativas de cobrança. Segundo levantamento do De Nederlandsche Bank (DNB), o banco central holandês, 78% dos estabelecimentos pesquisados solicitam pagamentos em dinheiro quando o cartão fica indisponível.

Um episódio recente com a rede holandesa Albert Heijn, do grupo Ahold Delhaize, mostrou como essas dependências podem afetar grandes operações. Um incidente de cibersegurança levou ao desligamento preventivo de parte de seus sistemas, com estimativas de prejuízo entre € 120 milhões e € 150 milhões em faturamento não realizado.

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