EUA devem enviar proposta de acordo sobre tarifas ao Brasil nesta semana ou na próxima

Destaques
- •Brasil aguarda envio de proposta dos EUA sobre tarifas, com sugestões de concessões comerciais.
- •O documento, um esboço de acordo, é esperado entre esta semana e a próxima, segundo o ministro Márcio Elias Rosa.
- •O Brasil responderá à proposta com base no que for conveniente para o país, após análise dos setores de interesse americano.
O Brasil deve receber entre esta semana e o início da próxima uma oferta de eventual acordo por parte dos Estados Unidos sobre o tarifaço imposto ao país. O documento trará sugestões de concessões comerciais, como reduções tarifárias em determinados setores. A informação foi dada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, após participar de um seminário sobre minerais críticos e estratégicos.
Segundo o ministro, em negociações comerciais desse tipo, uma das partes apresenta uma proposta inicial, à qual a outra responde com suas ofertas e contrapropostas. "Eles devem nos encaminhar um documento indicando, basicamente, quais são os setores em que gostariam de obter reduções tarifárias, por exemplo, e nós responderemos em seguida", explicou Elias Rosa. Ele acrescentou que a informação que tem é que o governo americano está trabalhando na elaboração do texto.
O que é o tarifaço e como chegou a esse ponto
O Brasil foi alvo de rodadas de tarifaços anunciados pelo governo dos EUA. Um deles, de 25%, foi justificado pela Casa Branca sob o argumento de que o Brasil adota práticas desleais na economia em relação a empresários americanos em áreas como PIX, etanol e propriedade intelectual. Outra tarifa de 12,5% foi aplicada diante do entendimento dos EUA de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao coibir a importação de mercadorias de países onde há trabalho forçado.
Durante as negociações para tentar evitar o tarifaço, representantes do governo brasileiro afirmaram que os americanos desconsideraram os argumentos técnicos, levando o Brasil a considerar que as medidas tiveram caráter político, não comercial. Nesse contexto, o Brasil abriu um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os EUA tratam o Brasil de maneira diferente dos demais parceiros comerciais.
Negociações e próximos passos
Em setembro, representantes dos governos do Brasil e dos EUA se reuniram em Genebra, na sede da OMC, para negociar. Com isso, abriu-se um prazo de 60 dias para que os dois países cheguem a um consenso. Se não houver acordo no prazo, uma das partes pode abrir um painel, ou seja, pedir que o tema vá a julgamento pela OMC.
O governo da China pediu formalmente à OMC para participar do processo, mas os EUA se manifestaram contra a abertura de espaço para os chineses. O ministro Márcio Elias Rosa foi categórico ao afirmar que as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, as chamadas midterms, não terão influência na negociação sobre o tarifaço, pois "não muda absolutamente nada".



