Colômbia se retira do Grupo de Haia, citando ações contra Israel
Destaques
- •Colômbia anuncia saída do Grupo de Haia, bloco que visa defender o direito internacional e a Palestina.
- •Governo colombiano afirma que o grupo foi criado para "isolar e atacar Israel" e rejeita essa abordagem.
- •A decisão ocorre em meio à reaproximação diplomática entre Colômbia e Israel, com a reabertura da embaixada colombiana em Jerusalém.
O governo da Colômbia anunciou nesta terça-feira (27/10/2026) que irá se retirar do Grupo de Haia, bloco internacional do qual era membro e copresidente. A decisão foi comunicada pelo porta-voz do governo, Miller Soto, em um vídeo compartilhado na rede social X, onde afirmou que a Colômbia solicitou oficialmente sua saída do grupo, que foi criado com o objetivo de "isolar e atacar Israel", e que o país rejeita essa abordagem.
Objetivo e Composição do Grupo de Haia
O Grupo de Haia foi estabelecido em 31 de janeiro de 2025, com o propósito de defender o direito internacional e a solidariedade ao povo da Palestina, coordenando "medidas legais e diplomáticas" em relação às ações de Israel. Inicialmente, o grupo era composto por nove nações: Belize, Bolívia, Colômbia, Cuba, Honduras, Malásia, Namíbia, Senegal e África do Sul. A Colômbia e a África do Sul eram os copresidentes do bloco. O grupo busca fazer cumprir as normas do direito internacional e as decisões de cortes como a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e o Tribunal Penal Internacional (TPI).
Contexto da Retirada Colombiana
A saída da Colômbia do Grupo de Haia ocorre em um momento de reaproximação diplomática entre o país e Israel. Recentemente, o governo colombiano restabeleceu relações diplomáticas com Israel, rompendo uma decisão anterior do governo de Gustavo Petro, que havia cortado laços em 2024 devido à ofensiva israelense em Gaza. Como parte dessa nova fase, o ministro das Relações Exteriores colombiano, Omar Bula, inaugurou a embaixada da Colômbia em Jerusalém. A decisão de sair do Grupo de Haia segue a retirada da Colômbia de sua declaração de intervenção no processo movido pela África do Sul contra Israel na CIJ, relacionado a supostas violações da Convenção contra o Genocídio.
Outras Saídas e Repercussões
A Colômbia não é o único país a deixar o Grupo de Haia; a Bolívia e Honduras também já haviam se retirado do bloco. Apesar da saída, o Ministério das Relações Exteriores colombiano reafirmou o compromisso do país com o multilateralismo, o direito internacional e a solução pacífica de controvérsias. A organização, que tem como objetivo pressionar Israel e proteger a atuação da CIJ, já realizou diversas reuniões, incluindo em Bogotá e Nova York, com a participação de diversos países como observadores, incluindo o Brasil.



