Campos Neto e Guedes cobram até R$ 300 mil por palestras; valor pode cair pela metade

Destaques
- •Ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Economia podem ter cachês reduzidos em 50% se Flávio Bolsonaro perder a eleição.
- •Valores elevados refletem a expectativa do mercado sobre a política econômica futura, especialmente em períodos eleitorais.
- •A possível indicação de Campos Neto para o Ministério da Fazenda é vista com bons olhos pelo mercado, mas gera ressalvas pontuais.
O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cotado para ser ministro da Fazenda caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, está entre os nomes mais disputados para palestras em eventos privados do mercado financeiro. O cachê para uma apresentação fechada pode superar os R$ 300 mil. O ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, também cobra valores semelhantes, podendo ultrapassar essa marca dependendo da duração, local e formato do evento.
Segundo fontes do setor, nomes que participaram de governos anteriores costumam ter cachês elevados para palestras privadas, especialmente na área econômica. Em períodos eleitorais, essa experiência se torna um ativo valioso, sinalizando a possível política econômica para os anos seguintes, o que gera uma espécie de "inflação" nos valores cobrados.
Cenário de derrota eleitoral pode reduzir cachês pela metade
A manutenção dos altos cachês para Campos Neto e Guedes está condicionada à vitória de Flávio Bolsonaro. Uma fonte da área de eventos estima que, caso o candidato seja derrotado, o valor médio dos dois pode cair para cerca de R$ 150 mil. Essa faixa de preço é comumente paga a ex-ministros de governos anteriores, como os de Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer.
Procurados por meio de suas assessorias, Campos Neto e Guedes não responderam aos contatos.
Nomes cotados para o Ministério da Fazenda
Além de Campos Neto, outros nomes circulam como possíveis ministros da Fazenda em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Entre eles estão Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, e Alexandre Bettamio, que atua no Bank of America. O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, também é mencionado, tendo integrado equipes econômicas de Temer e Bolsonaro.
Campos Neto é visto com bons olhos pelo mercado por sua gestão no Banco Central, que avançou em inovações como o Pix, Open Finance e o desenvolvimento de fintechs. No entanto, alguns agentes do mercado apontam que sua eventual indicação poderia gerar ruídos, devido ao fato de o Banco Master ter recebido licenças regulatórias durante sua gestão.



