Petrobras e Mubadala travam negociação pela Refinaria de Mataripe há três meses

Destaques
- •Negociação para recompra da Refinaria de Mataripe pela Petrobras está parada há três meses.
- •Fundo Mubadala postergou decisão sobre nova proposta financeira da Petrobras após eleições presidenciais.
- •Petrobras busca autossuficiência em diesel e planeja expansão do parque de refino.
A negociação para a recompra da Refinaria de Mataripe, segunda maior do país, pela Petrobras está parada há três meses. Fontes próximas ao assunto indicam que a estatal apresentou uma nova proposta financeira ao fundo Mubadala, de Abu Dhabi, mas ainda não obteve resposta. A incerteza em relação ao resultado das eleições presidenciais e a escalada dos preços do diesel levaram o fundo árabe a adiar a decisão para depois do pleito.
A Refinaria de Mataripe tem capacidade para processar 323 mil barris de petróleo por dia, o equivalente a 14% do mercado nacional. Na época da venda em novembro de 2021, seu valor foi calculado em US$ 1,65 bilhão (ou R$ 8,250 bilhões com o câmbio atual). A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que a refinaria foi subavaliada, vendida em um período de recuperação pós-pandemia e com o preço do petróleo em torno de US$ 70 o barril, inferior aos atuais mais de US$ 100.
A nova proposta da Petrobras supera o valor original da venda, incluindo os investimentos de cerca de R$ 80 milhões feitos pela Acelen (braço do Mubadala no Brasil) na unidade de hidrotratamento de diesel (HDT). Esses investimentos visam aumentar a produção do combustível em 25%, com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Resistência do proprietário e cenário político
Apesar da nova proposta, o Mubadala demonstra resistência à venda pelo valor oferecido. Um dos fatores que contribuem para essa postura é a liderança de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Em caso de vitória, há a expectativa de que a Petrobras retome a prática de preços de mercado, o que as refinarias privadas consideram uma concorrência desleal. A estatal já abandonou o Preço de Paridade de Importação (PPI) em 2023, adotando uma nova estratégia de precificação.
O alto preço do diesel também influencia a demora na negociação. O combustível subiu quase 70% este ano, impactado por conflitos que restringiram a oferta. Uma fonte explicou que o alto lucro obtido com o diesel no momento atual dificulta o desfecho da venda.
Impacto do preço do diesel no mercado
Um estudo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) de setembro mostrou que o PPI do diesel acumulou alta de 12,8% em relação a agosto, atingindo R$ 6,71. Nesse período, a Petrobras manteve o preço em suas refinarias em R$ 3,33, resultando em um diesel 50,4% mais barato que a referência internacional. A Acelen (Mataripe) encerrou o mês com o preço de R$ 4,88, 27,3% abaixo do PPI. Já a Ream (Refinaria de Manaus) registrou R$ 7,34, o maior valor histórico, e foi a única a se manter acima do PPI.
Oficialmente, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou em agosto que a companhia segue negociando a recompra, mas que a expansão do parque de refino ocorrerá "com ou sem Mataripe". A Petrobras tem como meta tornar o Brasil autossuficiente em diesel em cinco anos, visando suprir um déficit atual de 20% a 30%. O país não construía novas refinarias há 34 anos, até a inauguração da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) em 2014.



