IA e o Futuro do Trabalho: Lições da História para a Era Digital

Destaques
- •Economistas revisitam a Grande Depressão e a Revolução Industrial para entender os impactos da Inteligência Artificial no mercado de trabalho.
- •A velocidade da mudança tecnológica, o contexto econômico e a localização geográfica são fatores cruciais na adaptação dos trabalhadores.
- •A história sugere que, embora novas ocupações surjam, a transição pode ser dolorosa e desigual, exigindo políticas públicas para mitigar os efeitos.
Economistas e historiadores estão recorrendo a eventos passados, como a Grande Depressão e a Revolução Industrial, para analisar os potenciais impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho. Assim como em 1931, quando economistas debateram a ameaça da automação e dos novos meios de comunicação para os trabalhadores americanos, hoje a preocupação se volta para a IA e seu potencial de substituir profissões como programadores, roteiristas e motoristas. As questões centrais permanecem: os benefícios da tecnologia serão amplamente distribuídos? Novos empregos surgirão a tempo de compensar as perdas? E o que os governos podem fazer para gerenciar essa transição?
O Contexto Histórico e a Grande Depressão
Durante a Grande Depressão, a automação em setores como telefonia e indústria siderúrgica, combinada com a crise econômica, levou a um desemprego em massa. Relatos da época descrevem fábricas modernas operando com poucos trabalhadores, gerando apreensão. No entanto, o cenário mudou com a Segunda Guerra Mundial, quando a tecnologia que economizava mão de obra se tornou uma vantagem para o esforço de guerra. No boom pós-guerra, a expansão de novas indústrias e o consumo de bens como carros e televisores criaram oportunidades que diminuíram as preocupações com a substituição tecnológica.
Um exemplo citado é a substituição de operadoras de telefonia por sistemas automáticos nos anos 1920. Antes de 1929, as trabalhadoras dispensadas conseguiam realocação. Com a Depressão, a dificuldade aumentou drasticamente, evidenciando como o estado geral da economia agrava os efeitos da automação.
A Velocidade e a Localização das Mudanças
A rapidez com que as mudanças tecnológicas ocorrem é um fator determinante para o sofrimento dos trabalhadores. No caso das operadoras telefônicas, a transição para sistemas automáticos muitas vezes ocorria da noite para o dia, deixando pouco tempo para adaptação. Um estudo de 2024 indicou que mulheres demitidas pela automação telefônica tiveram menor probabilidade de retornar ao mercado de trabalho ou ganhavam menos.
Em contraste, a substituição de carroças por caminhões ocorreu gradualmente, permitindo que jovens migrassem para outras ocupações e que os salários dos profissionais remanescentes na atividade por cavalos até subissem. A localização também importa: perder um emprego em uma região próspera oferece mais alternativas do que em uma área economicamente deprimida. Protestos contra a mecanização, como os das máquinas de debulha na Inglaterra, foram mais intensos em áreas isoladas.
Transformação e Criação de Empregos
O impacto mais comum da tecnologia não é necessariamente a destruição de empregos, mas a transformação do trabalho. O exemplo dos fabricantes de botas na Inglaterra no século XIX ilustra isso: o número de trabalhadores permaneceu estável, mas as condições mudaram de artesãos para operários em fábricas, com maior produtividade e preços menores. Esse fenômeno, conhecido como Paradoxo de Jevons, pode aumentar a demanda e, consequentemente, preservar empregos.
A história mostra que novas ocupações surgem constantemente. Estima-se que 60% dos empregos nos EUA em 2018 não existiam em 1940. No entanto, a transição para esses novos empregos pode ser difícil. A Revolução Industrial causou um período de salários deprimidos, conhecido como Engel’s Pause, antes que os ganhos fossem mais amplamente distribuídos. A IA, por sua vez, ameaça profissões de conhecimento, como desenvolvimento de software e serviços jurídicos, e seu impacto global pode ser mais disruptivo do que revoluções anteriores.
Embora a maioria dos economistas não preveja o fim do trabalho, a velocidade e a amplitude das disrupções causadas pela IA levantam incertezas sem precedentes. A capacidade da sociedade de se adaptar a essas mudanças rápidas é um desafio crucial, com lições importantes a serem extraídas do passado.
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- Para entender como a IA vai transformar o trabalho, olhe para o passado · infomoney.com.br



