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BR-156: Estrada histórica no Amapá segue inacabada e marcada por corrupção

03 de novembro de 2026
BR-156: Estrada histórica no Amapá segue inacabada e marcada por corrupção

Destaques

  • •A BR-156, projetada há um século para integrar o Amapá e garantir a segurança nacional, segue com trechos de terra e lama, apesar de mais de R$ 1 bilhão em contratos de pavimentação.
  • •Investigações da Polícia Federal apontam uma organização criminosa que desviou R$ 328 milhões em contratos de manutenção e recuperação da rodovia, com indiciamento de empresários e agentes públicos.
  • •O novo governador do Amapá estuda pedir a gestão da BR-156 para o Estado, enquanto a Petrobras avança na exploração de petróleo na Margem Equatorial, intensificando a necessidade de infraestrutura.

A BR-156, projetada há quase um século pelo general Cândido Rondon para ligar Macapá à fronteira com a Guiana Francesa, segue inacabada e com trechos de terra e lama, apesar de mais de R$ 1 bilhão em contratos de pavimentação vigentes. A rodovia, que deveria garantir a segurança nacional e integrar o extremo Norte do país, é agora estratégica para a exploração de petróleo na Margem Equatorial, mas sua precariedade compromete a logística e aumenta custos.

As obras da BR-156, iniciadas em 1970, jamais foram concluídas. A estrada, conhecida como a obra pública mais antiga em execução no Brasil, com mais de 90 anos de atraso, sofre com histórico de desvio de verbas públicas. Relatórios da Polícia Federal, CGU e TCU apontam fraudes em contratos de manutenção e recuperação. Uma investigação recente da PF, a Operação Route 156, indiciou empresários e agentes públicos por formação de organização criminosa que desviou R$ 328 milhões em licitações.

Histórico de corrupção e atrasos

A Polícia Federal apontou a existência de uma organização criminosa que praticou corrupção em licitações e tráfico de influência no Dnit do Amapá. O inquérito da Operação Route 156, encerrado em maio de 2025, aponta fraudes em contratos de manutenção, conservação e recuperação de 360 quilômetros da rodovia, somando R$ 328 milhões. Segundo a polícia, agentes públicos e empresários atuaram em conluio para manipular licitações e direcionar contratos.

Um dos indiciados é o empresário Breno Barbosa Chaves Pinto, suplente do senador Davi Alcolumbre (União), que teria tido influência sobre o chefe do DNIT/AP, Marcello Linhares, e sido favorecido com R$ 298 milhões em contratos entre 2023 e 2026. Relatórios policiais indicam saques em dinheiro vivo que somariam R$ 3,05 milhões, possivelmente para lavagem de dinheiro ou pagamento de propina. A precariedade da BR-156, aliada à frustração da competitividade nos contratos, aprofunda as dificuldades socioeconômicas do extremo norte do Amapá, com Oiapoque figurando entre os 20 piores municípios do Brasil para se viver.

Impactos para comunidades indígenas e o futuro da estrada

A BR-156 atravessa terras indígenas como Uaçá, Galibi e Juminã, e a poeira e lama geradas pela rodovia causam problemas respiratórios e alérgicos nas comunidades. Lideranças indígenas pleiteiam a realocação de 17 aldeias e a conclusão da estrada para facilitar o acesso a serviços e escoar a produção. Há apreensão quanto aos impactos ambientais da exploração de petróleo no Rio Uaçá.

As comunidades indígenas, embora a favor do asfaltamento, exigem a realocação das aldeias. O cacique Gilberto Iaparrá, do CCPIO, ressalta a preocupação com possíveis vazamentos de petróleo que afetem a fauna e a flora do rio, base da subsistência local. A falta de consulta sobre a nova frente econômica gerou críticas ao governo federal e à cúpula política do Amapá.

Desafios logísticos e a busca por soluções

A rodovia é dividida em trecho Sul (até a divisa com o Pará) e trecho Norte (Macapá a Oiapoque). O trecho Sul termina às margens do Rio Jari, onde uma ponte iniciada há 25 anos está abandonada, impedindo a ligação terrestre do Amapá com outros estados brasileiros. O trecho Norte, de 580 km, é crucial para a logística do petróleo, mas possui longos trechos não pavimentados e sem sinalização ou pontos de apoio.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) afirma que a pavimentação enfrenta condicionantes administrativas, técnicas, ambientais e indígenas. O governador eleito do Amapá, Antonio Furlan (PSD), estuda solicitar a gestão da BR-156 para o Estado ou atuar como parceiro do governo federal. A Federação das Indústrias do Estado do Amapá (Fieap) destaca que a conclusão da estrada é fundamental para a competitividade e o desenvolvimento econômico da região, especialmente com a iminente exploração de petróleo.

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