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Vivo e Unifique/Brisanet/iez! lançam celular com conexão via satélite no Brasil

27 de outubro de 2026
Vivo e Unifique/Brisanet/iez! lançam celular com conexão via satélite no Brasil

Destaques

  • •Vivo e operadoras regionais anunciam parcerias para oferecer conexão de celular via satélite no Brasil.
  • •Tecnologia permite comunicação em áreas remotas sem cobertura de redes tradicionais, com limitações iniciais.
  • •Analistas veem potencial estratégico para expansão de cobertura e fidelização de clientes, mas sem impacto financeiro imediato.

A conectividade de celular via satélite está se expandindo no mercado brasileiro, com a Vivo anunciando o lançamento do Vivo Satélite em parceria com a Starlink Mobile, e as operadoras regionais Unifique, Brisanet e iez! firmando acordo com a norte-americana AST SpaceMobile. A tecnologia permite que smartphones se conectem diretamente a satélites, eliminando a necessidade de antenas ou equipamentos adicionais, com o objetivo principal de expandir o acesso à comunicação em áreas rurais e remotas onde as redes móveis tradicionais não alcançam.

Vivo amplia cobertura com Starlink

A parceria da Vivo com a Starlink, empresa de internet via satélite controlada pela SpaceX de Elon Musk, tem o potencial de atingir cerca de 50 milhões de clientes. Inicialmente, o serviço será oferecido sem custo adicional para clientes elegíveis, com um período promocional de 12 meses para consumidores e três meses para clientes corporativos. A oferta abrange planos pós-pagos selecionados, Controle, Vivo Lite e pré-pagos com recargas acima de R$ 30.

A conexão via satélite permitirá o uso de recursos específicos de comunicação e navegação, como mensagens de texto pelo WhatsApp, iMessage e Google Mensagens, além de acesso a Google Maps, Apple Maps e ao aplicativo da própria Vivo. No entanto, chamadas telefônicas convencionais, videochamadas e navegação irrestrita na internet não estarão disponíveis por meio dessa conexão.

O Goldman Sachs avalia a parceria como estrategicamente positiva, destacando que a Vivo, que já alcança cerca de 98% da população brasileira, poderá ampliar sua presença para virtualmente todo o território nacional sem necessidade de investimentos significativos adicionais em infraestrutura terrestre. O banco acredita que a iniciativa pode reduzir a evasão de clientes de maior valor e posicionar a operadora para futuras iniciativas da Starlink no Brasil, embora não espere impacto financeiro relevante no curto prazo.

O Bradesco BBI também classifica o anúncio como positivo, ressaltando que a Vivo se torna a primeira grande operadora do país a lançar um serviço desse tipo. A solução poderá apoiar reajustes de preços e a migração dos clientes para planos de maior valor agregado, além de potencial redução de investimentos em infraestrutura em regiões de baixa densidade populacional. Atualmente, a Vivo cobre aproximadamente 98% da população, mas apenas cerca de 15% do território nacional.

Operadoras regionais se unem à AST SpaceMobile

As operadoras regionais Unifique (Sul), Brisanet (Nordeste) e iez! (MG, RJ, ES) anunciaram um acordo comercial com a AST SpaceMobile para desenvolver a conexão direta entre satélites e celulares no Brasil. Elas planejam disponibilizar frequências de 700 MHz, comumente usadas em sinais de celular, e investir em estações terrestres para conectar suas redes móveis aos satélites da empresa americana.

A proposta da AST é viabilizar chamadas de voz, banda larga móvel e transmissão de vídeos diretamente em smartphones convencionais. Os detalhes financeiros e o cronograma de implementação ainda não foram divulgados, e os contratos definitivos dependem de negociações e aprovações regulatórias. A AST SpaceMobile está desenvolvendo uma constelação de satélites em órbita baixa, chamada BlueBird, para oferecer conectividade celular a aparelhos comuns, já possuindo parcerias internacionais com AT&T, Verizon e Vodafone.

Limitações e perspectivas futuras

A tecnologia de conexão via satélite, embora promissora para ampliar a cobertura, ainda enfrenta desafios como a capacidade de transmissão e a recepção de sinal em ambientes fechados. No curto prazo, a tendência é que ela complemente as redes terrestres, levando conectividade a locais sem cobertura convencional.

Analistas ressaltam que a conectividade via satélite deve complementar, e não substituir, as redes móveis tradicionais. Limitações regulatórias, escassez de espectro e o menor nível de receita por usuário no Brasil tornam pouco provável que a Starlink se transforme em uma concorrente direta das operadoras incumbentes no país. O BTG Pactual avalia que o modelo de parceria tende a prevalecer, pois os investimentos para uma operação móvel independente seriam mais difíceis de justificar.

A longo prazo, contudo, a tecnologia pode aumentar a concorrência se empresas como a Starlink passarem a ter relações diretas com consumidores e fabricantes de smartphones, alterando o papel das operadoras tradicionais. Por ora, a conexão via satélite é vista como uma extensão das redes móveis existentes. O Goldman Sachs manteve recomendação de venda para as ações da Vivo, com preço-alvo de R$ 34, apesar dos benefícios estratégicos do acordo.

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