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Vitória de Lula derruba preços de soja, café e açúcar no mercado internacional

26 de outubro de 2026
Vitória de Lula derruba preços de soja, café e açúcar no mercado internacional

Destaques

  • •Eleição de Lula surpreende mercado e leva a desvalorização do real, impactando commodities agrícolas.
  • •Contratos futuros de soja caem para menor nível em dois meses, enquanto café e açúcar recuam com força.
  • •Mercados brasileiros aguardam forte queda com negociações locais, enquanto o real se desvaloriza frente ao dólar.

A vitória inesperada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição brasileira causou um impacto imediato nos mercados de commodities globais, com os contratos futuros de soja caindo para o menor nível em dois meses em Chicago. Café e açúcar também registraram fortes recuos. A eleição de Lula pressionou a moeda brasileira, o real, e melhorou as perspectivas de exportação para o país, que é um gigante global em produção de commodities agrícolas.

O resultado eleitoral, que frustrou investidores que apostavam em seu adversário, Flávio Bolsonaro, e em uma política de redução do déficit público, sinaliza um cenário de forte queda para os mercados brasileiros quando as negociações locais forem retomadas. Um contrato de derivativos cambiais indica o dólar a R$ 5,60, o que representaria uma desvalorização de 12% do real em relação ao fechamento de sexta-feira. As negociações do real começam às 9h, no horário de Brasília.

Impacto nas exportações e preços internacionais

Um real mais fraco torna os produtos agrícolas brasileiros mais competitivos no exterior, incentivando as exportações. Isso ocorre porque os produtores recebem mais moeda local por suas safras. Como o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, café e soja, essa desvalorização cambial tende a pressionar os preços internacionais dessas commodities para baixo.

O contrato de soja com maior volume de negociação na Bolsa de Chicago (CBOT) chegou a cair 1,7%, atingindo seu menor patamar desde o final de agosto. A expectativa é que a ênfase de Lula em manter uma relação pragmática com a China consolide ainda mais a posição do Brasil como principal fornecedor de soja para o país asiático, potencialmente reduzindo a participação dos Estados Unidos no mercado chinês.

O Brasil tem ampliado sua participação no mercado chinês, respondendo por quase 80% das importações de soja da China nos primeiros nove meses do ano, apesar do acordo comercial entre Pequim e os Estados Unidos. A China também tem aumentado seus investimentos em infraestrutura portuária brasileira, como terminais no Porto de Santos construídos pela Cofco Corp.

“Lula é favorável às exportações de soja para a China. Portanto, isso pressiona os preços da soja americana para baixo se o Brasil conseguir atender a uma parcela maior da demanda chinesa”, afirmou Joe Davis, diretor de vendas de commodities da Futures International LLC.

Queda generalizada em outras commodities

A desvalorização cambial e a pressão sobre os preços das commodities agrícolas se estenderam a outros produtos. Os contratos futuros de óleo de soja recuaram até 1,2% em Chicago, enquanto o óleo de palma caiu até 1,1% em Kuala Lumpur, interrompendo uma sequência de alta. O óleo de palma, que compete com o óleo de soja em diversos mercados, costuma acompanhar os movimentos deste último.

A situação dos estoques elevados na Malásia também contribuiu para a pressão no mercado de óleo de palma, apesar de uma melhora na demanda por exportações, segundo Tasvinderjit Singh, diretor e chefe de contratos futuros da CGS International Futures Malaysia.

Os contratos futuros de açúcar e café também sofreram quedas significativas na abertura dos negócios. O contrato de açúcar com maior volume de negociação recuou até 3,6%, a maior queda em mais de um mês. O café arábica caiu até 3,3%, enquanto o café robusta atingiu o menor nível em dois anos.

O movimento nos mercados de açúcar e café foi descrito como uma “simples reação técnica” à expectativa de desvalorização da moeda brasileira, segundo Arnaud Lorioz, CEO da corretora Deepcore. “O mercado está sinalizando que o real favorecerá um aumento das exportações dos produtores de açúcar do Brasil.”

Relação com os EUA e próximos passos

A reeleição de Lula também levanta questões sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos, dadas as diferenças ideológicas entre o presidente brasileiro e o ex-presidente americano Donald Trump. Embora Trump tenha imposto tarifas ao Brasil em julho, ele também elogiou Lula. A evolução dessa relação poderá ter efeitos de longo prazo nos mercados agrícolas, segundo Carlos Mera, chefe de pesquisa de commodities agrícolas do Rabobank.

Os mercados brasileiros aguardam a abertura das negociações locais, que devem refletir a forte desvalorização do real e a pressão sobre os preços das commodities. A forma como a política econômica do novo governo se desdobrará e as relações internacionais do Brasil serão pontos cruciais a serem acompanhados pelos investidores.

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