Brasil elege três mulheres governadoras em um mesmo pleito, igualando recorde

Destaques
- •Três mulheres foram eleitas governadoras em eleições recentes, igualando o recorde de 2006.
- •O feito eleva para cinco o número de mulheres chefes de Executivo estaduais simultaneamente no país.
- •Acompanhar a evolução da representatividade feminina nos cargos eletivos e os desafios enfrentados.
O Brasil alcançou um novo marco na representatividade feminina na política com a eleição de três mulheres para governos estaduais no mesmo pleito, repetindo o recorde de 2006. Celina Leão (PP) e Mailza Assis (PP) foram reeleitas no Distrito Federal e no Acre, respectivamente, enquanto Raquel Lyra (PSD) foi reeleita em Pernambuco. As três se tornaram as primeiras mulheres eleitas para governar seus respectivos estados, com Lyra tendo alcançado o feito em Pernambuco em 2022.
Este resultado eleva para cinco o número de mulheres chefes de Executivo estaduais atuando simultaneamente no país. Antes das eleições de outubro, o Brasil já registrava o maior número de governadoras da história, com cinco mulheres no comando de estados, após a renúncia de titulares para disputar cargos eletivos. Além de Lyra, Assis e Leão, as outras duas chefes de estado são Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) e Hana Ghassan (Pará).
Trajetórias políticas das eleitas
Celina Leão, atual governadora do Distrito Federal, assumiu o cargo após a renúncia de Ibaneis Rocha. Sua carreira política inclui mandatos como deputada distrital e federal, consolidando sua experiência no Legislativo antes de assumir o Executivo.
No Acre, Mailza Assis chegou ao governo estadual em abril. Ela foi senadora titular a partir de 2018 e, em 2022, foi eleita vice-governadora na chapa de Gladson Cameli, assumindo a titularidade do Executivo após a renúncia do governador.
Raquel Lyra, em Pernambuco, chega ao seu novo mandato após uma trajetória como deputada estadual e duas gestões consecutivas como prefeita de Caruaru, demonstrando forte atuação no cenário político local e estadual.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação em 2025 analisa a trajetória da participação política das mulheres no Brasil desde 1932. A pesquisa destaca os avanços normativos, como a lei de cotas, mas aponta os persistentes desafios estruturais e culturais que limitam a plena participação feminina na política, como a violência política de gênero e a desigualdade no financiamento de campanhas.
Outro estudo, publicado na Resenha Eleitoral em 2019, foca na efetividade das cotas partidárias de gênero. A análise percorre a história das lutas femininas pelo sufrágio e as alterações legislativas desde o período colonial, debatendo a real efetividade da legislação de cotas eleitorais. O estudo aponta razões que impedem a maximização da participação feminina, investigando a estrutura interna da disputa eleitoral no Brasil e realizando uma análise comparada com Argentina e Bolívia.
Pesquisa citada
- REPRESENTATIVIDADE FEMININA NA POLÍTICA BRASILEIRA: UMA ANÁLISE HISTÓRICA DESDE 1932
Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação · 2025
- A Participação da Mulher na Política Brasileira e a Efetividade das Cotas Partidárias
Resenha Eleitoral · 2019



