Intenção de Consumo das Famílias cai 0,8% em outubro, menor nível desde janeiro

Destaques
- •Indicador acumula terceiro recuo mensal consecutivo e atinge 103,6 pontos, refletindo queda em todos os subíndices.
- •Compra de bens duráveis registra a maior retração do ciclo de baixa, com queda de 1,8% no mês.
- •Acompanhar a evolução da renda e do emprego nos próximos meses e o impacto de incertezas internas e externas no poder de compra.
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou uma queda de 0,8% em outubro de 2026, na comparação com o mês anterior, já com ajuste sazonal. O indicador atingiu 103,6 pontos, o menor patamar desde janeiro, marcando o terceiro recuo mensal consecutivo. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O recuo afetou todos os subíndices do levantamento, evidenciando uma desaceleração generalizada no ímpeto de consumo. A compra de bens duráveis, um dos componentes mais sensíveis à confiança do consumidor, apresentou a maior retração do atual ciclo de baixa, com queda de 1,8% no mês. Apesar disso, em 12 meses, este subíndice ainda registra alta de 14,0%.
Queda generalizada nos subíndices
O subíndice que mede o Nível de Consumo Atual caiu 1,3% em outubro, chegando a 90,1 pontos, o menor nível desde dezembro de 2025. Este é o quarto mês seguido de retração. O Emprego Atual também cedeu 0,7% no mês, sendo a primeira queda desde abril, embora em 12 meses ainda apresente alta de 1,5%.
A Perspectiva Profissional, que avalia as expectativas dos consumidores sobre o mercado de trabalho, recuou 0,6% no mês e acumulou uma queda de 7,7% em 12 meses, a maior retração anual entre os componentes. Já a Renda Atual, que mede a percepção sobre os rendimentos, teve a menor queda do levantamento, com recuo de 0,3% no mês, mas já acumula cinco meses consecutivos de retração.
A Perspectiva de Consumo, apesar de ter recuado em outubro, manteve-se acima dos patamares de 2025. No geral, o ICF apresentou uma alta de 2,2% em relação a outubro de 2025.
Impacto na renda e percepção de emprego
Os bens duráveis acumularam inflação de 1,12% em 12 meses até setembro, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral ficou em 4,58% no mesmo período. A percepção positiva sobre a trajetória profissional atingiu o menor percentual desde setembro de 2022, com apenas 48,0% dos consumidores expressando otimismo. A segurança no emprego foi relatada por 42,7% das famílias.
A queda mensal de 0,8% na ICF ocorreu em ambas as faixas de renda analisadas. Para famílias com renda de até 10 salários mínimos, o ICF ficou em 101,4 pontos, com a compra de duráveis recuando 1,7%. Para famílias com renda acima de 10 salários mínimos, o ICF foi de 115,4 pontos, e a compra de duráveis caiu 2,0%.
Causas e perspectivas futuras
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, atribuiu a queda na intenção de consumo à renda do trabalhador comprometida por passivos acumulados e a incertezas internas e externas. "Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro", declarou.
A análise sugere que, apesar de massa salarial e emprego manterem patamares elevados, o endividamento e as contas em atraso impactam diretamente o poder de compra, levando à cautela no consumo, especialmente de bens duráveis.
Matérias originais
- Intenção de consumo das famílias cai 0,8% em outubro, diz CNC · poder360.com.br



