Economia & PolíticaRelevância BR: 10/10

Eleição de Lula: Dólar dispara e Ibovespa tem forte queda; veja histórico

26 de outubro de 2026
Eleição de Lula: Dólar dispara e Ibovespa tem forte queda; veja histórico

Destaques

  • •Vitória de Lula no segundo turno presidencial provoca forte reação negativa nos mercados brasileiros, com disparada do dólar e forte queda do Ibovespa.
  • •O Ibovespa registrou uma das maiores quedas diárias de sua história, acionando o mecanismo de circuit breaker. O dólar atingiu patamares históricos de alta.
  • •Analistas divergem sobre a duração da correção, mas concordam que a definição da equipe econômica e a política fiscal serão cruciais para a recuperação dos ativos.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais provocou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26), com o Ibovespa registrando uma das maiores quedas diárias de sua história e o dólar disparando para patamares históricos. O Ibovespa chegou a cair mais de 16% e acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa de Valores. O dólar, por sua vez, ultrapassou a marca de R$ 5,60, com alta superior a 12% em determinado momento do dia.

Histórico de quedas e altas do dólar

Levantamentos da consultoria Elos Ayta indicam que a intensidade da queda do Ibovespa e a alta do dólar nesta segunda-feira se assemelham a períodos de crises cambiais e financeiras históricas. As dez maiores altas diárias do dólar desde o Plano Real ocorreram em momentos de instabilidade, como a crise cambial de 1999 e a crise financeira global de 2008. A crise asiática de 1997 e a crise política de 2017 também figuram entre os eventos que causaram fortes valorizações da moeda americana.

No caso do Ibovespa, nove das dez maiores quedas diárias registradas desde 1994 foram associadas a crises internacionais, como a crise russa de 1998 e a crise asiática de 1997. A pandemia de Covid-19 também concentrou quatro das dez maiores quedas em março de 2020. Apenas um episódio político doméstico, o escândalo da parabólica em 1994, figura entre as maiores quedas históricas da Bolsa.

Reação do mercado e expectativas futuras

A forte reação do mercado financeiro reflete a frustração com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), que era precificado por parte dos investidores como um candidato com maior propensão a uma agenda de ajuste fiscal. Com a continuidade do governo Lula, as preocupações se voltam para a política fiscal e a trajetória da dívida pública.

Analistas divergem sobre a duração da correção. Enquanto alguns bancos como JPMorgan, Morgan Stanley e BTG Pactual projetam um período de correção relevante, outros veem oportunidades de compra para investidores de longo prazo. A escolha da equipe econômica e os sinais sobre a estratégia fiscal do novo governo serão determinantes para a recuperação dos ativos.

O BTG Pactual estima que o Ibovespa possa recuar para cerca de 170 mil pontos, com desvalorização de 10% a 15% do real. Já o JPMorgan prevê queda de cerca de 20% para o índice. Por outro lado, Rohan Daswani, da Gavekal Research, sugere que a correção pode ser uma oportunidade de compra, citando os juros reais ainda elevados e a relevância do Brasil em commodities.

O que esperar nos próximos dias

O mercado aguarda com atenção os primeiros sinais do governo Lula sobre a composição da equipe econômica e a condução da política fiscal. A definição de nomes com credibilidade junto ao mercado e a sinalização de compromisso com a disciplina fiscal serão cruciais para reverter o cenário de incerteza e atrair investimentos.

Empresas exportadoras e com balanços sólidos, como Vale, Suzano e Embraer, são apontadas como potenciais beneficiadas em um cenário de real mais fraco. Setores como varejo, construção civil e empresas dependentes de crédito podem sofrer mais com a pressão sobre a economia doméstica.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas