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Vista Capital reduz risco a quase zero após perdas inéditas em 2026

04 de novembro de 2026
Vista Capital reduz risco a quase zero após perdas inéditas em 2026

Destaques

  • •Gestora Vista Capital, cofundada por João Landau, zerou o risco de sua carteira após um ano de perdas em todas as posições principais, algo inédito em 12 anos.
  • •O fundo Vista Multiestratégia acumula queda de 45,9% em 2026, enquanto o CDI rendeu 11,7%. Outros fundos da casa também registraram perdas significativas.
  • •A gestora revisará teses de investimento e modelo de gestão nos próximos meses, buscando recuperar a confiança dos cotistas após um desempenho decepcionante.

A gestora Vista Capital, cofundada por João Landau, decidiu reduzir o risco de sua carteira a um nível próximo de zero na virada de outubro para novembro. A decisão ocorre após um ano em que todas as principais posições do fundo registraram perdas, um cenário inédito nos 12 anos de história da casa. Em carta enviada a cotistas nesta quarta-feira (4), a gestora informou que utilizará os próximos meses para rever suas teses de investimento e o próprio modelo de gestão.

O Vista Multiestratégia, principal produto da gestora, acumula uma queda de 45,9% em 2026 até outubro, mês em que registrou recuo de 15,4%. Em comparação, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) rendeu 11,7% no mesmo período. Outros fundos da Vista também apresentaram desempenho negativo: o Vista Macro Absoluto perdeu 33,6% e o Vista Hedge, 20,8%. Desde seu lançamento em janeiro de 2015, o Vista Multiestratégia só havia encerrado um ano no vermelho, em 2024.

Aposta eleitoral frustrada

A comunicação aos cotistas ocorre pouco mais de uma semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) caiu 13,88%, com o acionamento do primeiro circuit breaker desde 2020. A queda afetou a indústria de fundos, especialmente fundos de ações e multimercados que estavam posicionados para uma alternância de governo.

João Landau, que cofundou a Vista em 2014, esteve entre os gestores que manifestaram publicamente oposição à candidatura de Lula. Em julho, durante o evento Expert XP, ele expressou a expectativa de que o petista perderia a eleição.

Falha nas proteções e teses de investimento

Na carta, a gestora reconhece que esperava que a abstenção no segundo turno prejudicasse a esquerda, seguindo a série histórica de eleições. No entanto, o comparecimento aumentou de forma relevante. As estratégias de proteção da carteira também falharam: a Petrobras, em que a Vista estava vendida (apostando na queda de seu preço), subiu quase em linha com o petróleo. Posições em câmbio e em opções do Ibovespa, montadas entre os turnos, não cumpriram seu papel de mitigar perdas.

Apesar disso, a gestora sustenta que as perdas ligadas à eleição ficaram dentro do risco esperado para a carteira e não foram o principal fator do resultado negativo do ano. "O problema é que essas perdas se somam às anteriores, tornando o resultado acumulado inaceitável para nós", afirma a carta.

Outros fatores de perdas e convicções mantidas

Ao longo de 2026, a Argentina sofreu desvalorização de cerca de 40%, ações sensíveis a juros (conhecidas como bond proxies) tiveram perdas relevantes, e posições em urânio ficaram no negativo, apesar da alta da commodity. A Petrobras, por outro lado, acumula valorização de 80%. Segundo a gestora, mesmo com o patrimônio dos sócios aplicado no fundo e o respeito às regras de risco, todas as principais posições estão no vermelho, indicando um erro de gestão de risco que não conseguiu compensar os equívocos nas teses.

Apesar do desempenho, a Vista mantém suas convicções de cenário, incluindo o otimismo com o governo de Javier Milei na Argentina e a visão de que os riscos da Petrobras são subestimados pelo mercado. No Brasil, a casa admite ter errado ao usar bond proxies em vez da NTN-B para capturar a queda dos juros reais, mas mantém o diagnóstico de que "os juros reais terão de cair, por bem ou por mal".

Dilema fiscal e câmbio no Brasil

Para a gestora, sem disposição do governo em restabelecer a confiança na trajetória da dívida pública, começam a surgir discussões sobre caminhos heterodoxos para sua redução, com potenciais efeitos sobre o câmbio. A Vista não considera essa ruptura iminente e avalia que um ajuste fiscal modesto e um ministro com credibilidade podem ser suficientes, por ora. Contudo, pondera que o dilema fiscal deve se tornar mais complexo com o enfraquecimento da atividade econômica em 2027.

"Em qualquer desses cenários, a combinação atual de juros reais e câmbio nos parece insustentável", conclui a carta, indicando que a gestora aguarda oportunidades para reajustar sua estratégia.

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