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Vietnã supera China em importação de aços planos para o Brasil

22 de outubro de 2026
Vietnã supera China em importação de aços planos para o Brasil

Destaques

  • •Vietnã se tornou o principal fornecedor de aços planos para o Brasil em setembro, ultrapassando a China.
  • •A mudança ocorre após medidas antidumping contra a China restringirem o fluxo de material chinês.
  • •O novo cenário de importação e a taxa de juros são desafios para o setor siderúrgico nacional.

O Vietnã superou a China em setembro como principal origem de importações de aços planos pelo Brasil. A mudança ocorreu após medidas antidumping tomadas nos últimos meses contra Pequim restringirem o fluxo de material chinês que chegava aos portos brasileiros, segundo dados apresentados pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

Em setembro, o Brasil importou 176 mil toneladas de aços planos do Vietnã, de um total de 266 mil toneladas. Em contrapartida, a China forneceu apenas 25 mil toneladas no mês passado, uma queda drástica em relação às 135,5 mil toneladas importadas em setembro de 2025. Naquele ano, o Vietnã sequer figurava entre as 15 principais origens de importação de aço plano para o Brasil.

O que dizem os distribuidores

O presidente do Inda, Carlos Loureiro, destacou que os números demonstram a força do Vietnã no mercado brasileiro. "Está havendo uma série de negócios com o Vietnã em que os importadores se juntam para trazer material para o Brasil", afirmou Loureiro a jornalistas. "Isso já está começando a azeitar. Os números mostram que o Vietnã está muito firme no Brasil", acrescentou.

Loureiro também mencionou que o produto vietnamita é, em média, US$50 mais caro que o chinês. Ele alertou que, caso uma ação antidumping seja aberta contra o Vietnã, o processo para obter resultados pode levar de um ano a um ano e meio.

Impacto no mercado interno e desafios

Em setembro, os distribuidores de aços planos registraram uma queda de 7,2% nas vendas em comparação com o ano anterior, totalizando 336 mil toneladas. No acumulado do ano, o setor amarga um recuo de 2,1% nas vendas, com 2,92 milhões de toneladas comercializadas nos primeiros nove meses de 2025. O presidente do Inda atribui parte dessa retração à importação de produtos acabados que utilizam aço, como carros, máquinas e eletrodomésticos.

Os estoques dos distribuidores terminaram setembro com 1,18 milhão de toneladas, um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. O maior volume está concentrado em laminados a quente, com 741 mil toneladas. Para outubro, a expectativa do Inda é de estabilidade nas vendas em relação a setembro.

Perspectivas e juros

O cenário atual dificulta que as usinas siderúrgicas nacionais consigam elevar seus preços até o final do ano, período que tradicionalmente apresenta uma sazonalidade mais fraca. Loureiro ressaltou que um dos principais desafios para o próximo governo será a adoção de medidas para acelerar a queda da taxa de juros.

"O que segura investimento são os juros. Essa taxa de 13,75% (da Selic) é impeditiva para qualquer investimento", declarou o presidente do Inda, defendendo uma mudança de governo que permita uma redução mais rápida da taxa básica de juros.

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