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Bolsa brasileira: XP e Morgan Stanley veem alta para domésticas, mas exportadoras perdem espaço

22 de outubro de 2026
Bolsa brasileira: XP e Morgan Stanley veem alta para domésticas, mas exportadoras perdem espaço

Destaques

  • •Analistas da XP e Morgan Stanley apontam empresas ligadas ao mercado interno como as mais beneficiadas pela recuperação da Bolsa brasileira.
  • •Exportadoras como WEG e Embraer tendem a ser menos favorecidas em um cenário de valorização do real e otimismo com a economia doméstica.
  • •Morgan Stanley projeta potencial de valorização de até 50% em dólar para ações domésticas no cenário otimista, dependente de reformas fiscais e juros baixos.

A forte recuperação da Bolsa brasileira desde o início de outubro, com o Ibovespa acumulando alta de cerca de 11% no mês, está redesenhando as perspectivas para o setor de bens de capital. Analistas da XP e do Morgan Stanley avaliam que empresas mais ligadas ao ciclo doméstico e ao mercado interno tendem a ser as principais beneficiadas pela melhora das expectativas para a economia brasileira. Em contrapartida, exportadoras como WEG e Embraer ficam relativamente menos favorecidas.

A XP atribui a alta do Ibovespa a quatro fatores principais: a compressão dos juros de longo prazo, a valorização do real, a expectativa de despesas financeiras menores com uma trajetória mais baixa para a Selic e uma melhora do cenário macroeconômico para companhias mais cíclicas. Para medir quais empresas são mais sensíveis a essas mudanças, a XP criou um modelo quantitativo que avalia os impactos sobre lucros e fluxo de caixa. O resultado apontou a Randoncorp como a companhia com maior exposição positiva a um cenário de melhora da economia doméstica, seguida pela Kepler Weber.

Apostas no "trade Brasil"

Segundo os analistas da XP, as ações ligadas ao mercado interno avançaram, em média, cerca de 20% desde a melhora da percepção dos investidores sobre o Brasil. A Randoncorp foi o principal destaque, com valorização próxima de 60% em outubro. Na visão da XP, o mercado não está mais precificando apenas o benefício direto da queda dos juros, mas também uma recuperação mais ampla da atividade econômica. Caso as projeções para o crescimento brasileiro sigam melhorando e os juros continuem recuando, novas revisões positivas para os lucros dessas empresas ainda podem ocorrer.

O Morgan Stanley, por sua vez, afirma que o Brasil lidera os retornos das ações na América Latina e que ainda existe espaço para ganhos. A tese central é de reequilíbrio, com o banco projetando mais cerca de 10% de alta do Ibovespa até o fim do ano e um retorno esperado de cerca de 20% até meados de 2027, no cenário otimista. Para empresas voltadas ao mercado doméstico, excluindo exportadoras de commodities, o banco vê um potencial de valorização de cerca de 50% em dólares no cenário otimista, que depende de reformas fiscais e juros mais baixos.

Exportadoras perdem espaço

No outro extremo, a XP vê exportadoras como as menos beneficiadas pelo atual momento do mercado brasileiro. A avaliação é que empresas com receitas fortemente dolarizadas tendem a sofrer em um ambiente de valorização do real e de maior otimismo em relação à economia doméstica. Por isso, WEG e Embraer aparecem entre os nomes com menor exposição positiva ao chamado “trade Brasil”.

Ainda assim, os analistas da XP consideram que a WEG está em posição relativamente melhor do que a Embraer por ter maior participação do mercado brasileiro em seus negócios e por poder se beneficiar caso haja redução das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com eventual diminuição de tarifas. Apesar da menor exposição ao cenário doméstico, a Embraer continua sendo uma das principais recomendações da XP para o setor, oferecendo uma relação risco-retorno atrativa graças à forte visibilidade de crescimento dos resultados, independentemente do cenário macroeconômico brasileiro.

O que precisa dar certo

O Morgan Stanley chama o cenário otimista de "primavera", e a narrativa se apoia em três pilares: queda dos juros básicos; mudança para políticas mais favoráveis ao investimento em vários países da região; e pivô dos EUA em política e governança, que acelera a chamada multipolaridade e abre oportunidades para as economias latino-americanas. No Brasil, o cenário depende de o governo implementar reformas fiscais, como racionalização de gastos, mudança na regra de reajuste do salário mínimo e avanço da reforma administrativa.

A XP também mantém visão positiva sobre a Tupy, argumentando que a empresa ainda apresenta uma assimetria favorável de valor, impulsionada pela melhora dos resultados nos Estados Unidos e pelo potencial de recuperação da atividade no Brasil. Já em relação à WEG, a corretora continua enxergando uma trajetória sólida de crescimento dos lucros, mas considera que o prêmio de valuation da companhia segue elevado quando comparado ao de empresas globais do setor. A leitura da XP é que a próxima etapa do rali da Bolsa brasileira tende a favorecer principalmente empresas alavancadas à atividade doméstica, enquanto exportadoras devem continuar dependendo mais de seus fundamentos específicos do que da melhora do cenário macroeconômico local.

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