Venezuela: Governo critica retorno de opositora María Corina Machado

Destaques
- •Presidenta em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, criticou o retorno da líder opositora María Corina Machado, classificando-o como um 'show'.
- •Rodríguez defendeu que a política seja tratada com seriedade, focando em reformas e na recuperação de ativos venezuelanos.
- •Lideranças venezuelanas também celebraram a vitória de Lula no Brasil, vendo-a como um freio ao extremismo na América Latina.
A presidenta em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, comentou nesta segunda-feira (26/10) o retorno da dirigente da extrema direita, María Corina Machado, que regressou ao país no domingo (25/10) após dez meses no exterior. Durante atividade oficial em Caracas, a mandatária afirmou que a política é um exercício sério, que impacta diretamente a vida da população, e qualificou a operação montada pela opositora como um “show”.
“Acredito que realmente deve cessar a política como show, porque a política é algo muito sério. Por que a política é algo muito sério? Porque diz respeito à vida dos cidadãos. Qualquer decisão que tomemos incide sobre a vida de uma população. Qualquer política pública que desenharmos com base no conhecimento tem impacto no conjunto da população”, disse a presidenta.
Rodríguez também comentou a operação montada pela oposição para o reingresso da líder opositora ao país, que o fez por meio da fronteira entre a Venezuela e Colômbia, por terra. “Podia ter evitado o show, aí estão os aeroportos, há estruturas transitórias das quais as pessoas têm muito bons comentários. Afastemo-nos do espetáculo e nos concentremos em fazer da política algo muito sério. Se agiram dessa maneira, algum objetivo procuravam”, agregou.
Diálogo e Recuperação de Ativos
A presidenta em exercício disse desejar que haja “arrependimento” da líder opositora em relação a atos cometidos contra o Estado venezuelano para que ela “possa contribuir com algo para o país”. Rodríguez destacou o avanço da Mesa de Diálogo Nacional, conduzida com representantes da Assembleia Nacional de 2015, que já realizou três rodadas de reuniões construtivas.
O processo busca reformas políticas e judiciais, além da recuperação dos ativos venezuelanos retidos no exterior. “Espero que o diálogo continue sendo um espaço para a participação política, que aqueles que fizeram mal à Venezuela, que aqueles que pediram sanções e agressões externas, tenham algo de remorso e arrependimento, e que o espaço do diálogo e do programa de convivência democrática e paz sirva para que todas as vozes possam ser ouvidas”, declarou a presidenta.
Posicionamento do PSUV
Por sua vez, Diosdado Cabello reiterou em coletiva de imprensa que qualquer cidadão pode retornar ao país e fazer política, lembrando que na Venezuela não há perseguição. Cabello ressaltou que as lideranças que defenderam sanções internacionais contra o povo venezuelano precisam assumir a responsabilidade por suas ações.
“Quem desejar retornar pode fazê-lo sem perseguição. Montou-se um show. Pedimos que cesse o show e que cada pessoa assuma a responsabilidade de suas ações passadas e faça política”, afirmou. Ao citar uma célebre carta de Simón Bolívar de 1823, o dirigente pontuou que os fantasmas que tentam amedrontar a população desaparecem à medida que a luz e a verdade se aproximam.
“Cito uma frase de Bolívar dirigida ao general Antonio José de Sucre em 1823: ‘Não me assusta. Estamos acostumados a ver muito de perto fantasmas mais horríveis que desapareceram ao nos aproximarmos deles’. Quem entendeu, entendeu”, disse o secretário-geral do PSUV.
Vitória de Lula e Rejeição a Extremismos
Além de abordarem o cenário político interno, as lideranças venezuelanas comemoraram a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do Brasil. Delcy Rodríguez parabenizou o presidente eleito e o povo brasileiro, afirmando que o resultado das urnas demonstrou que a sociedade rejeita extremismos e fanatismos.
Segundo a presidenta, o triunfo democrático no Brasil envia uma mensagem de esperança e convivência saudável para toda a América Latina e o Caribe. “Quero, a partir da Venezuela, nessa nova espiritualidade, parabenizar novamente o presidente Lula da Silva e o povo do Brasil, porque o Brasil deu uma lição de que não se impõem nem extremismos nem fanatismos de nenhum tipo. É uma sociedade saudável que deu uma mensagem ao mundo e, sobretudo, aos povos da nossa América Latina, do Caribe e desta região”.
Diosdado Cabello também saudou o resultado eleitoral brasileiro, afirmando que a votação popular impôs um freio ao fascismo na região. O secretário-geral do PSUV destacou os laços fraternos entre as duas nações e ratificou a disposição da Venezuela em fortalecer os canais de diálogo, cooperação e integração soberana na América do Sul. “Estamos felizes pelo povo brasileiro. Ali se colocou um freio no fascismo com votos, freios com votos que também fazem falta, mas não pode ser essa forma de governo em nenhum país. Temos excelentes relações com o Brasil e, inclusive, no pior momento, sempre existiu um canal. Agora vem um segundo mandato do presidente Lula da Silva e a Venezuela sempre esteve disposta a estender a mão aos amigos. A paz do país ninguém vai perturbar. Há muito tempo estamos na rota de colocar em contrapeso o amor frente aos odiadores. O ódio tem força, mas jamais terá a força do amor de um povo”, afirmou Cabello.
Matérias originais
- ‘Poderia ter evitado o show’, diz Delcy Rodríguez sobre retorno de María Corina à Venezuela · operamundi.uol.com.br


