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Mercado reage com perdas na Bolsa e alta do dólar após reeleição de Lula

27 de outubro de 2026
Mercado reage com perdas na Bolsa e alta do dólar após reeleição de Lula

Destaques

  • •Ibovespa recua mais de 13% e dólar sobe mais de 8% após resultado das eleições presidenciais.
  • •Investidores temem desequilíbrio fiscal e aumento de gastos públicos com a gestão do presidente reeleito.
  • •Ofertas de ações na B3 são adiadas e mercado aguarda sinais de ajuste fiscal para 2027.

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa nos mercados financeiros brasileiros nesta segunda-feira (26.out.2026). O Ibovespa, principal índice da B3, chegou a cair mais de 16% durante a manhã e encerrou o dia com recuo de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O dólar disparou, atingindo R$ 5,406 com alta de 8,31% em um momento, e fechou cotado a R$ 5,4029, com valorização de 8,21%. O CDS (credit default swap) de 5 anos do Brasil, que mede o risco de calote, subiu para 143,87 pontos, o maior patamar desde março de 2026.

Mercado teme desequilíbrio fiscal e aumento de gastos

A principal preocupação do mercado financeiro reside na possibilidade de o governo reeleito manter políticas que desequilibrem o orçamento público, com gastos rígidos e dificuldade em realizar cortes. A consultoria TS Lombard alertou que, sem reformas estruturais para conter despesas obrigatórias, o Brasil pode enfrentar baixo crescimento e altas taxas de juros, com a relação dívida/PIB podendo atingir 117,6% em 2036, um nível insustentável para um país emergente e que poderia levar ao default.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avalia rever emendas e supersalários para abrir espaço fiscal e busca mudar a Constituição para cumprir a meta fiscal. No entanto, economistas apontam que medidas paliativas não resolvem a situação fiscal.

Ofertas de ações adiadas e setores penalizados

A expectativa de reabertura do mercado para ofertas de ações foi frustrada. Pelo menos 10 ofertas subsequentes (follow-ons) estavam previstas até dezembro, mas executivos de bancos de investimento consideram o ambiente inviável para novas captações. Empresas como Banco Pine e Banco Mercantil, que planejavam levantar recursos, adiaram seus planos. A visão é que as ofertas só retornarão caso o presidente sinalize um ajuste fiscal convincente para 2027.

A Bolsa registrou perdas generalizadas em praticamente todos os setores. Varejo, saúde, construção civil, educação e bancos foram os mais afetados. Empresas como Hapvida (HAPV3) caíram 54,1%, Cosan (CSAN3) recuou 46,3%, Cyrela (CYRE3) perdeu 44,7% e Dasa (DASA3) cedeu 44,2%. Setores dependentes de crédito e sensíveis a juros, como varejo e construção, sofreram com a perspectiva de elevação dos juros futuros.

Histórico de volatilidade cambial e próximos passos

A alta do dólar nesta segunda-feira foi a terceira maior desde o Plano Real, em 1994, refletindo a frustração dos investidores que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), visto como mais propenso ao ajuste fiscal. O movimento, embora intenso, difere de crises anteriores como a de 1999 (abandono das bandas cambiais) e 2008 (crise financeira internacional), ou da crise política de 2017 após a gravação de Joesley Batista.

O presidente Lula se reuniu com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento) para discutir a reação dos mercados. A escolha do comando da equipe econômica para o próximo mandato também está em discussão, com nomes como Rafael Fonteles e Geraldo Alckmin sendo cotados para a Fazenda. O mercado aguarda sinais concretos de política fiscal para os próximos anos.

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