UBS: Reeleição de Lula pode reverter alta de ações de saúde com juros

Destaques
- •Banco suíço UBS avalia que reeleição de Lula pode reverter rali recente das ações do setor de saúde, impulsionado por queda de juros.
- •Hapvida e Dasa são as mais expostas a uma correção, com potencial de queda de valor justo e lucro líquido em caso de alta da taxa de juros.
- •Bradesco Saúde é apontada como posição defensiva preferida, com potencial de alta e benefícios de juros mais altos.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva pode reverter o recente desempenho positivo das ações do setor de saúde, segundo avaliação do banco de investimentos UBS. O movimento de alta das empresas do setor, que chegou a 33% na semana seguinte ao primeiro turno das eleições, foi impulsionado pela queda de cerca de 175 pontos-base na taxa de juros de 10 anos. Com o resultado eleitoral, o UBS prevê que a curva de juros possa voltar a subir, impactando negativamente os papéis.
Hapvida e Dasa mais expostas a reversão
As empresas Hapvida e Dasa são apontadas pelo UBS como as mais vulneráveis a uma correção no setor. O banco destaca que ambas lideraram o rali recente e apresentam maior exposição a uma reversão tanto pelo lado de valuation quanto pelo impacto dos juros sobre os resultados. Uma alta de 100 pontos-base na taxa de 10 anos poderia reduzir o valor justo em até 10% para a Dasa e 9% para a Hapvida.
Além disso, o UBS estima que uma elevação de 50 pontos-base nas taxas de curto prazo reduziria o lucro líquido estimado de 2027 da Dasa em 5 a 6 pontos percentuais e o da Hapvida em 3 a 4 pontos percentuais. Apesar de outras empresas como Rede D'Or e Fleury também apresentarem sensibilidade, o impacto direto nos lucros de Dasa e Hapvida é mais acentuado.
Bradesco Saúde como porto seguro
Na contramão, o Bradesco Saúde é a posição defensiva preferida do UBS em um cenário de reversão do mercado. O banco ressalta a combinação de baixo beta, ausência de dívida financeira, liquidez e pagamento de dividendos como fatores positivos. Juros mais altos também podem beneficiar o resultado da companhia através do retorno sobre o float financeiro, recursos mantidos em sua carteira de títulos.
A Rede D'Or também é considerada uma das ações mais defensivas, apresentando beta de 0,9, alavancagem de 1,7 vez e a maior liquidez do setor. O UBS mantém recomendação de compra para Rede D'Or e Bradesaude, com preços-alvo de R$ 48 e R$ 19, respectivamente.
Preços-alvo e próximos passos
O UBS manteve os preços-alvo das empresas analisadas inalterados. Em 9 de outubro, Hapvida negociava 12% acima do preço-alvo, Fleury 16% e Dasa 25%. Já Rede D'Or e Bradesaude apresentavam potencial de alta de 5% e 21%, respectivamente. Em 23 de outubro, Hapvida e Fleury aparecem com recomendação neutra, enquanto Dasa tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 3,90.
Para o UBS, a abertura da curva de juros será o principal fator para determinar a magnitude do movimento das ações de saúde após a eleição. O banco, no entanto, não vê mudanças relevantes nos fundamentos estruturais do setor, como número de beneficiários, emprego formal, inflação médica e regulação, que continuam sendo os principais vetores operacionais das empresas.
Matérias originais
- Após eleição, UBS vê risco de correção em Hapvida e Dasa · infomoney.com.br



