UBS BB reduz preço-alvo da Vale e mantém recomendação neutra

Destaques
- •UBS BB corta preço-alvo da Vale de R$ 77 para R$ 73 e mantém recomendação neutra, citando riscos operacionais e de mercado.
- •Mineradora pode enfrentar dificuldades com queda nos preços do minério de ferro, custos mais altos e incertezas na produção.
- •Investidores aguardam balanço do 3º trimestre da Vale em busca de pistas sobre rentabilidade e geração de caixa para 2027.
O UBS BB reduziu o preço-alvo das ações da Vale (VALE3) de R$ 77 para R$ 73 e manteve a recomendação neutra para a mineradora. A avaliação dos analistas Caio Greiner, Myles Allsop e Arthur Biscuola indica que, apesar da queda de cerca de 12% nos papéis desde agosto, a ação ainda não precifica totalmente a deterioração dos fundamentos operacionais e do mercado de minério de ferro. Os riscos, segundo o banco, permanecem inclinados para o lado negativo.
O relatório, intitulado “Ainda não está fora de perigo”, aponta uma combinação de preços menores do minério, custos mais elevados e incertezas sobre o volume de produção como fatores de preocupação. O UBS BB acredita que o mercado global de minério de ferro está entrando em uma fase de excesso de oferta, impulsionada pelo aumento da produção de grandes mineradoras e pelo projeto Simandou, na Guiné, enquanto a demanda global por aço segue fraca. Os preços do minério já recuaram para perto de US$ 90 por tonelada.
Minério sob pressão e dificuldades operacionais
O cenário para o minério de ferro é desafiador para produtores como a Vale. O projeto Simandou, sozinho, deve adicionar cerca de 80 milhões de toneladas anuais ao comércio marítimo global de minério nos próximos anos, o que representa aproximadamente 5% do mercado transoceânico. Embora o UBS BB considere que a queda adicional dos preços do minério seja mais limitada nos níveis atuais, o ambiente continua adverso.
Além do cenário externo, o banco identifica sinais crescentes de dificuldades operacionais na Vale. O Sistema Norte, em particular a mina Serra Norte, tem registrado queda de produção devido ao esgotamento de reservas e restrições operacionais. Dados analisados pelo banco sugerem que a produção da Vale no terceiro trimestre pode ter somado cerca de 89 milhões de toneladas, uma queda de 5,4 milhões de toneladas na comparação anual. A mineradora precisaria acelerar a produção no quarto trimestre para atingir o piso de seu guidance para 2026, e há uma chance não desprezível de ficar abaixo da meta.
Custos em alta e projeções revisadas
O UBS BB também alerta para pressões adicionais vindas dos custos. A valorização do real, a inflação e os gastos com combustível devem levar os custos totais da Vale para o topo da faixa projetada pela companhia em 2026. A instituição estima custos totais próximos de US$ 62 por tonelada, em um ambiente de minério ao redor de US$ 90 por tonelada.
Diante desse cenário, o banco revisou para baixo suas projeções de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 e 2027 em cerca de 4%, para US$ 14,8 bilhões e US$ 14,7 bilhões, respectivamente. O preço-alvo para os ADRs caiu de US$ 15 para US$ 14,50. Para o terceiro trimestre de 2026, o UBS BB prevê Ebitda de US$ 3,46 bilhões, queda de 15% em relação ao trimestre anterior.
O que esperar da temporada de balanços
A temporada de balanços do terceiro trimestre começa nesta semana, e os resultados serão cruciais para as expectativas em relação a 2027. Para a Vale, o terceiro trimestre é historicamente marcado por uma sazonalidade de volumes mais favorável. O teste real estará na rentabilidade por tonelada, com os preços realizados do minério de ferro frente à demanda chinesa e o controle de custos ditando o ritmo da geração de caixa livre. O mercado também acompanha a evolução da divisão de metais para transição energética.
Mesmo após o desempenho fraco das ações, o UBS BB entende que a avaliação dos papéis ainda não é suficientemente atrativa para justificar uma visão mais otimista. Em seus cenários para 2027, o UBS projeta geração de fluxo de caixa livre equivalente a algo entre 0% e 5% do valor de mercado. “De uma forma ou de outra, ainda parece cedo para afirmar que a ação encontrou um piso”, conclui o relatório.


