Trabalhadores portuários de 22 países realizam greve contra transporte de armamentos

Destaques
- •Greve coordenada em 113 portos de 22 países afetou operações de carga e transporte marítimo.
- •Trabalhadores protestam contra o uso de portos para o transporte de armamentos e denunciam mortes e feridos em conflitos.
- •Mobilização pode afetar 52 mil contêineres e cargas avaliadas em US$ 2,8 bilhões.
Trabalhadores portuários e marítimos de 113 portos em 22 países realizaram uma greve coordenada na sexta-feira (30), impactando operações de carga e transporte marítimo em importantes centros logísticos na Europa, Norte da África e Ásia. O movimento, que reuniu sindicatos de mais de 25 organizações, protestou contra o uso de portos para o transporte de armamentos destinados a zonas de conflito e denunciou o crescente número de mortes e feridos entre tripulantes em guerras como as do Golfo Pérsico e do Mar Negro.
Reivindicações e Impacto da Paralisação
Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão aumentos salariais, melhores condições de trabalho e o direito a equipes médicas a bordo de embarcações que cruzam áreas de conflito. A paralisação atingiu terminais em cidades como Pireu (Grécia), Valência (Espanha), Le Havre (França), Algeciras (Espanha) e Gênova (Itália), além dos portos de Tânger Med (Marrocos) e Nhava Sheva (Índia).
A greve teve impacto direto na operação de alguns portos. Na Grécia, operações de carga em Pireu foram interrompidas e serviços de balsas para as ilhas do país foram suspensos, com a adesão de cerca de 3 mil trabalhadores. Na Índia, representantes sindicais relataram a morte de aproximadamente 15 marítimos indianos em decorrência da guerra, com outros permanecendo retidos em embarcações devido a restrições de navegação.
Preocupações com Segurança e Economia
Apostolos Kypraios, líder do sindicato grego dos engenheiros da marinha mercante, declarou durante uma manifestação no porto de Pireu: “Não trabalharemos para as guerras deles e não nos tornaremos alimento para seus canhões”. Os sindicatos afirmam que os marítimos têm pago um preço elevado pela intensificação dos conflitos internacionais, com centenas de trabalhadores do setor mortos ou gravemente feridos nos últimos anos.
Segundo o grupo, apenas nos primeiros 21 dias de outubro foram registrados 28 ataques a embarcações no Golfo Pérsico, o maior número desde o início da guerra envolvendo o Irã. No Mar Negro, os sindicatos contabilizam 570 ataques a navios neste ano, com um saldo de 40 mortos e centenas de feridos. Além da preocupação com a segurança, os trabalhadores sentem os efeitos econômicos dos conflitos, com o aumento dos preços da energia e de bens essenciais reduzindo o poder de compra da categoria.
Mobilização Global e Declaração de Istambul
A greve contou com a participação de ativistas do movimento “No Harbour for Genocide”, que busca impedir o envio de cargas militares a portos israelenses. O grupo estima que a mobilização possa afetar aproximadamente 52 mil contêineres e cargas avaliadas em US$ 2,8 bilhões. A ação ocorre meses após sindicatos portuários de mais de 35 países europeus divulgarem a Declaração de Istambul, documento que pede que instalações portuárias não sejam utilizadas para o transporte de armas destinadas a zonas de guerra.



