Tesouro Nacional anuncia recompra de títulos após alta da volatilidade

Destaques
- •Tesouro Nacional realiza leilão de recompra de títulos atrelados à inflação e prefixados após forte volatilidade no mercado de juros.
- •Taxas dos títulos Tesouro IPCA+ atingiram a segunda maior alta diária da série histórica, com o IPCA+ 2032 subindo para IPCA + 8,10%.
- •Mercado reage à reeleição de Lula com alta das taxas de juros e queda no valor dos títulos, levando à suspensão temporária do Tesouro Direto.
O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (26) um leilão de recompra de títulos públicos atrelados à inflação (NTN-B) e prefixados (NTN-F), em uma operação extraordinária para absorver a pressão de venda e suavizar a alta volatilidade no mercado de juros. A medida ocorre no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que gerou incertezas no mercado financeiro.
A volatilidade foi tamanha que a plataforma do Tesouro Direto precisou ter suas negociações suspensas na manhã de segunda-feira devido à alta das taxas de juros dos títulos públicos. A suspensão afetou os títulos prefixados e os atrelados à inflação, com exceção do Tesouro Selic e Tesouro Reserva. O mercado reagiu à vitória de Lula, contrariando as expectativas de alguns investidores que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), visto como mais alinhado a medidas de responsabilidade fiscal.
Alta expressiva nas taxas de juros
Os títulos Tesouro IPCA+ registraram a segunda maior alta diária de taxas da série histórica iniciada em 2005. O título Tesouro IPCA+ 2032 saltou de IPCA + 6,72% no fechamento de sexta-feira (23) para IPCA + 8,10% na abertura das negociações de segunda-feira. O Tesouro IPCA+ 2050 atingiu sua maior taxa histórica, passando de IPCA + 6,42% para IPCA + 7,64%.
Essa alta nas taxas de juros reais impactou diretamente o valor dos títulos na marcação a mercado. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, teve uma desvalorização de 23,6% em relação a sexta-feira, enquanto o Tesouro IPCA+ 2032 recuou 7,1%. Para investidores que levam os títulos até o vencimento, a perda só se concretiza se houver venda antecipada.
Operação de recompra e cancelamento de leilões
O leilão de recompra anunciado pelo Tesouro Nacional visa comprar de volta papéis que já estão com os investidores, como forma de reduzir a pressão de venda e estabilizar o mercado. A operação prevê a compra de até 1 milhão de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) de cada um de três vencimentos (2030, 2035 e 2050). Anteriormente, o Tesouro já havia anunciado o cancelamento de leilões de títulos atrelados à inflação e prefixados previstos para a semana, mantendo apenas a oferta de LFT (atrelada à Selic).
O cancelamento das ofertas tradicionais permite ao Tesouro evitar a contratação de dívida em condições de mercado consideradas desfavoráveis. A recompra de títulos prefixados (NTN-F) também foi anunciada, com limite de 5 milhões de papéis por vencimento (2031, 2033 e 2037).
O que esperar do mercado
A alta nas taxas de juros e a desvalorização dos títulos refletem a precificação do mercado após a reeleição de Lula, com investidores exigindo maior retorno para financiar o país. A expectativa é que o mercado continue a ajustar os preços nos próximos dias, enquanto o governo reeleito sinaliza a condução das contas públicas e a formação da equipe econômica. O próximo passo importante será a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 3 e 4 de novembro, que pode indicar os próximos passos para a taxa Selic.
Matérias originais
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